A Verdadeira Força da Sua Escrita Está na Pergunta: Por quê?

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Esse texto é um poquinho diferente dos que eu costumo escrever. Talvez ele não seja tão direto ou com dicas tão práticas, mas é algo que cedo ou tarde a gente teria que abordar, de qualquer forma. Sendo assim…

Você já parou para se perguntar por que você escreve? Sério. Por que diabos você gasta horas da sua vida debruçado sobre cadernos de rascunho rabiscando personagens, cenários e ideias de tramas? Sem falar em todo o sofrimento que vem junto com o ato da escrita em si e, claro, da maldita — e mais do que necessária — revisão.

Entender o seu porquê é entender quem você é e que tipo de coisa pode deixar para os outros.

E podemos encaixar esse conceito em tudo o que fazemos. Vou me usar como exemplo, para variar um pouco.

Eu mantenho esse perfil no Medium, bem como uma fanpage no Facebook e um canal no YouTube. Em comum, temos o fato de as três contas tratarem do mesmo assunto: técnicas para criar histórias.

Agora, por que eu faço isso? Eu não estou cobrando nada pelo serviço e certamente eu não sou um santo.

Por que, então?

Eu me fiz essa pergunta muitas e muitas vezes até que a conclusão me ajudou a achar o meu espaço (tanto online quanto na vida prática).

Eu não repasso o conhecimento que adquiro porque sou um cara super legal que quer salvar o mundo. Claro que eu quero um mundo melhor, mas essa não é a primeira coisa que me vem à cabeça quando sento para escrever artigos.

Eu divido o que eu aprendo com colegas escritores porque eu entendi que, se eu quiser ter sucesso como autor no Brasil — que ainda tem um mercado editorial restrito a poucas pessoas, preferência por estrangeiros e baixo índice de leitura per capita –, eu preciso ajudar a mudar a realidade. Eu preciso fazer a minha parte para mostrar às editoras e ao público que os autores nacionais podem sim ser bons e profissionais. Que nós temos capacidade de dominar a técnica da escrita criativa e entregar livros a altura do padrão internacional. Diacho, podemos entregar livros melhores.

Então, ao ajudar mais autores, eu acabo me ajudando.

O bom de ser um escritor, é que os outros escritores parecidos comigo não são meus concorrentes. Eles são meus aliados. Veja bem, um leitor que compra o livro de outro autor que escreve no meu gênero provavelmente se interessará pelos meus livros também.

Assim, eu descobri quem eu sou: um escritor que sabe que a técnica pode ser seu diferencial e, através dela, ainda pode conquistar amigos pelo caminho. Além do pessoal que lê minhas histórias, eu encontrei um novo público: você que está lendo isso agora.

Você deve fazer esse mesmo exercício.

Por que você escreve?

Se você escreve para alcançar o grande público, deve se preocupar com o assunto da sua história, com o linguajar que usa e também em sair de casa e começar a fazer conexões. Networking será importantíssimo para você. Comece a frequentar eventos de autores, vá a workshops, conheça as pessoas das editoras. Acredite quando digo que tudo isso será tão importante quanto a qualidade da sua história.

Se você é um escritor mais underground que escreve para um grupo específico de pessoas, foque no seu público, ao invés de sonhar com best-sellers. O mercado de nicho é muito bacana e possibilita um contato legal com os leitores, cria relações duradouras e pode gerar uma boa base de fãs… mas você não vai estar na lista dos mais vendidos com a sua obra voltada para góticos canhotos fãs da Marvel e que só ouvem Sisters of Mercy. E tudo bem! Garanto que se a sua história for boa, os góticos canhotos fãs da Marvel e que só ouvem Sisters of Mercy voltarão para mais.

Já se o seu foco está na autopublicação, tenha certeza de ter formado um bom mercado. Preocupe-se em construir um grupo de fãs que de fato esteja interessado no seu livro ANTES de você gastar R$ 30.000 com editoração, diagramação e impressão. Caso contrário, você corre o risco de acabar com uma infinidade de caixas em sua sala de estar, apenas juntando poeira.

Por outro lado, se você escreve apenas para lidar com os demônios internos e colocar as coisas pra fora, então você, mais do que todos os outros tipos, deve conhecer o seu público: você mesmo. Seja brutalmente honesto e tire o máximo que puder das horas em frente ao computador. Como dizia Hemingway, sangre na página.

Contudo, o exercício de se perguntar “por quê?” também vai te ensinar algo mais importante. Vai te mostrar qual é a sua essência, o seu motor, aquilo que fará você continuar a escrever mesmo quando as coisas parecerem difíceis. Você irá erguer os olhos cansados da tela e vai lembrar…

“Eu faço isso porque acredito que a fé pode mudar a vida das pessoas”. (C.S. Lewis, autor de As Crônicas de Nárnia)

“Eu faço isso porque quero mostrar como a meritocracia é fundamental a uma sociedade”. (Ayn Rand, autora de A Revolta de Atlas)

“Eu faço isso porque quero que, daqui a 20 anos, meus filhos encontrem esses escritos e sintam orgulho do pai”. (João Silva, um autor que faz o melhor possível)

Ao criarmos personagens, nós sempre nos perguntamos o que os motiva e o que os levará pela jornada da história. Por que faríamos diferentes com a gente mesmo nessa grande trama chamada vida?

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  1. Texto divino, Nano. (pois é, agora eu vou comentar bastante aqui hehe)
    Tenho apenas algo a acrescentar. Eu tive essa dúvida há algum tempo. Escrevo há mais ou menos 6/7 anos, comecei com os 10 e nunca mais parei, me aprimorei e me redescobri dentro das páginas dos meus livros. Nunca excluí nenhum deles (claro, a gente acaba perdendo um ou outro com o tempo, por diversos motivos, mas não fui eu quem excluí hehe), e desde que fiz 15 anos (e isso foi há dois anos, então eu me lembro muito bem), tenho esses momentos onde eu abro um arquivo de quando eu tinha dez, onze, e leio. Humildemente, eu tinha ótimas ideias. Execução péssima, técnica zero e gramática… bom, gramática de uma criança de 10 anos. Mas, mesmo naquela época, eu amava escrever.
    Demorou um tempo até eu começar a pesquisar mais sobre escrita. Como muitos iniciantes, eu achava que era só chegar, escrever e procurar editora. Eu não tinha técnica, eu não tinha estrutura, eu não tinha nada além da minha vontade de escrever. E posso dizer, era maravilhoso. Com todos os furos, erros estruturais e gramaticais, era maravilhoso. Não os livros, mas a forma como eu me sentia. Bem, feliz, realizado. Sempre ouvia aquele ditado “Plante uma árvore, escreva um livro, faça um filho”, e eu pensava “Ok, falta um” (eu já havia plantado algumas árvores na escola também).
    Por conta disso, dessa paixão que me persegue desde os 10 anos, sempre foi fácil para mim responder essa pergunta. Então, quando alguém perguntava “Caio, por que você escreve?”, eu nem pensava, respondia logo: “Porque eu gosto”. E é incrível voltar no tempo, quando eu era uma criança que não entendia absolutamente nada de escrita, e pensar que aquela resposta nunca mudou.
    Claro, seria legal (Extremamente legal, muito legal mesmo) ser um autor vendido em todo Brasil, em todo mundo, dirá em toda Galáxia (num futuro distante, quem sabe?), mas não é o mais importante. Eu sempre soube o motivo pelo qual faço o que faço.
    Por isso, sempre que alguém me pergunta: “Caio, por que você escreve?”, eu respondo sem pestanejar: “Porque eu gosto.”

    Obrigado pelo texto, Nano. Foi um prazer lê-lo e espero que não tenha problema, mas eu gostaria de fazer um parecido no meu blog. Ainda não está pronto, mas pretendo fazer deste o primeiro post. É bem pessoal, e acho uma forma interessante de começar hehe

    1. Oi, Caio!
      É ótimo ver você por aqui novamente.
      Eu te entendo perfeitamente.
      É engraçado pensar nisso, mas conforme o tempo foi passando ficou cada vez mais claro pra mim que eu crio histórias simplesmente porque gosto. Eu não tenho grandes pretensões comerciais com elas.
      Por outro, lado, me apaixonei pelas técnicas de storytelling desde que as conheci. Amor a primeira vista mesmo. E esse conhecimento eu quero compartilhar. Nesse caso, eu escrevo para ajudar mais pessoas… e a partir disso vi que eu gostaria de viver fazendo isso.
      Olha como conhecer o nosso porquê é capaz de nos direcionar nessa grande aventura chamada vida.

      Um abraço pra você.

      Ah… e claro que você pode ficar à vontade para fazer o texto no seu blog! 🙂

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