Afinal, o que diabos é Storytelling?

É engraçado pensar que falo sobre storytelling aqui há tanto tempo e eu nunca tenha parado pra explicar, direitinho, do que ele se trata de verdade.

Provavelmente eu caí naquela conhecida armadilha de achar que, só porque a gente estuda um assunto, ele não precisa ser detalhado com maior cuidado para as outras pessoas, que elas também já devem conhecê-lo.

Bem, a coisa não funciona assim.

O storytelling, como todas as outras áreas do saber humano, exige um aprofundamento teórico. Ter dúvidas sobre ele não é feio e muito menos errado.

Na verdade, cada vez mais eu tenho encontrado gente me pedindo uma explicação mais direta sobre o assunto. E não são só escritores, mas também publicitários, empresários, gente querendo construir uma marca pessoal, enfim, a dúvida ronda os mais variados meios.

Sendo assim, hoje vamos descobrir o que diabos é esse tal de storytelling.

Quando faço essa pergunta nas minhas aulas, a galera responde quase em uníssono:

Storytelling é contar histórias.

Tudo bem. Storytelling é mesmo contar histórias. Mas será que é SÓ isso?

Quando um autor conta uma história em um livro ou uma marca utiliza de um comercial de TV para mostrar uma trama elas estão apenas contando uma história?

Não.

Elas estão contando uma história com um objetivo muito claro em mente.

Que objetivo é esse?

Pode ser ganhar fama, vender algo, educar, entreter, fortalecer uma imagem… enfim, são muitas as opções, mas, para usar as histórias a seu favor, primeiro você precisa saber o que quer alcançar com elas.

Sendo assim, podemos dizer que uma definição mais acertada para o storytelling moderno seria:

Storytelling é contar histórias com um objetivo.

Agora que deixamos esse pequeno (mas importante) detalhe mais claro, podemos entender mais profundamente essa nossa atividade.

Veja, Storytelling é a união de 2 termos: Story + Telling.

A minha maior bronca com uma galera aqui no Brasil é que eles falam muito sobre a parte do Story, mas parecem ignorar ou dar pouco valor pro Telling. E isso tá errado.

Se você quer ser um bom storyteller você precisa caprichar nessas duas áreas.

O Story, ou a história propriamente dita, diz respeito à sua ideia, à criação da premissa, dos personagens, dos acontecimentos. Enfim, é aquilo que vem na cabeça da maioria das pessoas quando elas pensam sobre o assunto.

A parte do Story costuma ser divertida, mais solta, lúdica e criativa. Sim, é maravilhosa e eu sou totalmente apaixonado por ela.

Mas não dá pra ficar só aí. O Telling não é uma opção. Para ter sucesso de verdade no meio, você precisa aprender não apenas a ter ideias para histórias, mas também aprender como contar essas histórias.

Dentro do Telling estão as diferentes técnicas de se criar uma história, a forma de estruturação, o ritmo escolhido, ponto de vista e até o meio no qual você vai transmitir essa história.

Sim, pode parecer um detalhe bobo, mas o meio faz muita diferença.

Uma história pode ter um impacto muito diferente se contada em um livro, na TV, no rádio ou mesmo em um post de Facebook. Saber escolher o meio adequado pode ser a diferença entre alcançar aquele seu objetivo ou falhar. Isso explica porque alguns storytellers são tão bons na literatura, mas péssimos no cinema, por exemplo.

Por esse motivo gosto de dizer que é impossível existir um contador de histórias supremo, que mande bem em todas as áreas. Claro, o cara pode ser incrível na parte do Story (e isso dá a ele uma grande vantagem), mas eu acho difícil que ele também seja um mestre em todos os possíveis meios de transmissão de histórias.

Porque, sim, para ser um bom storyteller, você precisa conhecer muito bem o seu meio de escolha. Só assim você poderá explorá-lo ao máximo e traduzir dentro dele as histórias de uma forma única.

Você pode se tornar um especialista em storytelling em vídeo, em fotos, em áudio, em posts, em mímica. Pode também aplicá-lo dentro da sua própria área de atuação, seja ela a advocacia, os negócios, palestras, psicologia, entre tantas outras.

O Telling também diz respeito às técnicas. Conhecimentos ancestrais que foram sendo passados adiante e aprimorados ao longo dos séculos.

Gostamos de citar o antigo teatro grego como uma das origens dessas técnicas, mas na verdade elas são muito anteriores. Elas nos acompanham desde que começamos a nos reunir ao redor de fogueiras e a falar sobre nossas aventuras e fantasias, há cerca de 160 mil anos.

É curioso notar que, no Brasil, ainda temos um enorme preconceito contra quem estuda técnicas narrativas. Eu já ouvi por aí que usar técnica seria o mesmo que se prostituir ou então jogar a criatividade no lixo.

Bom, eu não penso assim.

As técnicas existem como uma caixa de ferramentas que ajudam o storyteller. Caso uma delas esteja atrapalhando, é só não usar. Contudo, se você não conhecer nenhuma técnica e um dia se encontrar travado e sem saber o que fazer, aí não terá pra onde correr.

O verdadeiro storyteller é aquela pessoa que vê sua atividade não como arte, mas como um ofício. Como algo a ser estudado e aprimorado a cada novo trabalho. Ao aprender cada vez mais, ele se torna capaz de enxergar além da Matrix e manipular a programação daquilo que faz uma boa história. Assim ele consegue alcançar seu objetivo de maneira mais eficaz.

Storytelling, então, é uma atividade que envolve o estudo e a prática da criação de narrativas para se alcançar um fim específico. Ele engloba o uso da criatividade, mas também conhecimento técnico sobre a natureza das histórias e sobre os diferentes meios nas quais elas podem ser expressadas.

Em outras palavras… é saber ter ideias, mas também como e onde contá-las para alcançar aquilo que você quer.

Legal, não acha? 🙂

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    1. Obrigado, Cal! Fiquei muito contente com o seu comentário. Agradeço por acompanhar o meu trabalho e espero que esteja ajudando. Um grande abraço.

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