Como conectar os fatos da minha história?

Olha só, dizem por aí que a vida é mais estranha que a ficção por um motivo: a vida nem sempre faz sentido; já na ficção tudo precisa fazer sentido. E, pra fazer sentido, os acontecimentos devem estar conectados. É uma grande relação de causa e efeito.

Sabe quando você termina um bom livro e começa a refletir sobre a trama? Você vê que tudo o que ocorreu naquelas páginas não apenas é lógico como também inevitável. Uma coisa levou a outra, que levou a outra, que levou a outra até o único final possível.

Esse é o trabalho do bom escritor e, para chegar lá, só existem duas maneiras: muita reescrita ou então planejamento.

A reescrita (e aqui eu quero dizer muita reescrita mesmo) vai servir para aquele tipo de autor que curte soltar as palavras no papel e ver aonde elas vão levá-lo. Ele meio que vai descobrindo a história enquanto a escreve. Muita gente começou a se referir a esse tipo de escritor como “jardineiro” de ideias.

Se esse for o seu caso, você vai precisar fazer muitas leituras, revisões e alterações na sua história. Isso porque você invariavelmente vai se deparar com becos sem saída, vai abandonar linhas de histórias, vai criar trechos sem sentido e outras coisinhas do tipo. Sendo assim, precisará passar um pente fino no seu manuscrito e começar a conectar os diversos pontos soltos que irá encontrar dentro dele. É bem provável que você tenha que criar ou cortar capítulos também.

Sim, essa solução é trabalhosa, mas é necessária para garantir uma obra coesa, que vá gerar uma boa experiência de leitura para o seu leitor.

Já se você for um autor mais estratégico, poderá poupar um bom tanto de tempo e trabalho com planejamento. Estão chamando esse tipo de escritor de “arquiteto”.

O escritor arquiteto gasta mais tempo antes da escrita propriamente dita. Ele reflete muito sobre os possíveis caminhos da sua história, faz rascunhos, imagina direções e já vai dando forma ao que vai acabar virando sua trama. Para isso ele utiliza de seus conhecimentos sobre estrutura para construir uma grande linha narrativa que vai do Ponto A ao B, do B ao C e assim por diante.

Eu particularmente gosto de trabalhar com estrutura. Sempre divido a minha história em 3 Atos e, mais frequentemente do que não, estabeleço 5 pontos de virada dentro da história. Tudo isso antes de sentar para escrever a primeira linha.

Há vezes em que eu planejo mais, criando uma ideia inicial para cada capítulo do meu livro. Outras vezes eu apenas estabeleço os pontos cruciais e vou desenvolvendo o resto ao longo do caminho. Seja como for, pra mim, o planejamento se mostrou de imenso valor.

Ao planejar a sua história com antecedência você pode mexer na ordem de cenas, voltar em capítulos iniciais e colocar informações que vai precisar mais adiante, testar as relações de causa e efeito. Enfim, realmente diminui o esforço e é um jeito bem prático de assegurar que os fatos da sua história estejam interligados.

Para quem nunca experimentou, eu sugiro tentar e ver o que acontece.

Você pode aprender mais sobre estrutura no meu livro e ver um pouquinho dela sendo aplicada na série Escrevendo na Prática, aqui no site.

Por hoje é isso aí. Boa experimentação e continue criando! 😉

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