Como Criar Personagens Marcantes Com Apenas Uma Pergunta

No fim das contas, a história acaba dependendo de um bom personagem.

É possível que um bom personagem salve um filme ou livro ruim, mas nem mesmo a melhor trama conseguirá salvar um personagem chato, desinteressante e sem brilho.

Não adianta. Você precisa investir, especialmente no protagonista de sua história.

Ok. É bem provável que você já saiba disso. Todo mundo repete esse tipo de coisa pela internet, mas pouca gente explica, pra valer, como fazer.

O que eu vou falar aqui não substitui todos os livros de técnica literária ou as horas de análise prática que você precisará dedicar para se tornar um grande criador de personagens, mas com certeza vai ajudar.

Se você é um cara angustiado que realmente quer dar um toque de vida em seus personagens, mas não sabe por onde começar… Bom, você veio ao post certo.

A dica para um personagem marcante é: invista em valores.

Qual é o valor do seu personagem? E por valor eu não quero dizer apenas qualidades ou coisas bacanas e politicamente corretas. Quando eu digo valoreu quero que você pense naquilo que o seu personagem não pode viver sem. Faça com que ele pergunte a si mesmo:

Qual é a coisa mais importante do mundo para mim?

É isso! A resposta irá revelar qual é a essência do seu personagem e, a partir dela, você poderá guiar todas as escolhas dele ao longo da trama.

Veja o Batman lá no início da carreira, no fim da década de 30, antes de se estabelecer todo um cânone para o homem-morcego. Naquela época podíamos definir o herói por meio de um único valor: justiça. Tudo o que o Batman fazia era guiado por um grande senso de justiça.

Legal, mas os tempos mudaram e o público procura por personagens cada vez mais complexos. O que fazemos então?

Inserimos mais uma camada de valor.

Nós fazemos o personagem perguntar mais uma vez: qual é a coisa mais importante do mundo para mim?

Agora temos dois valores. Duas essências.

Muitas vezes esses dois valores vão andar lado a lado e construir uma dinâmica bacana ao longo da história. Só que as coisas ficam boas mesmo quando usamos esses valores para gerar conflito, colocando um em luta com o outro.

Vamos para um exercício prático.

Vou partir do pressuposto que quase todo mundo sabe quem é Walter White, do seriado Breaking Bad. Um químico brilhante, pai, bom marido, que nunca recebeu o devido valor e de repente se descobre com câncer.

Perguntamos pro Walter qual é a coisa mais importante do mundo. Ele responde: família.

Com esse valor em mente, ele acaba tomando decisões com o intuito de garantir um bom futuro para a sua família. Mas a coisa não para aí, não é mesmo?

Nós perguntamos pra ele qual é a outra coisa mais importante do mundo e ele diz: poder, controle.

Agora temos outro valor para brincar. Um valor que, ao entrar em conflito com o primeiro, gera os momentos mais dramáticos da série.

Ao criarmos a luta Família X Poder, vamos descobrindo quem Walter White realmente é. Ele é Heisenberg.

Entendeu a lógica da coisa? É isso!

Conforme você for ficando mais seguro com a brincadeira, poderá ir se aventurando em mais camadas de valores e em personalidades com diferentes níveis de complexidade. O mais legal disso tudo é que os personagens parecem trabalhar ativamente na própria construção. Experimente e veja o que acha.

Depois me diga… qual é a coisa mais importante do mundo pra você?

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