Como escolher o narrador da minha história?

Quem é o narrador?

Na grande maioria das vezes, o narrador é apenas uma voz que relata acontecimentos. Talvez seja a sua voz. Talvez seja uma voz que você assume quando coloca o manto de contador de histórias (sim, a sua voz como pessoa e como escritor podem ser diferentes).

Nesses casos, o narrador não participa, ele não é um personagem e nem assume opinião. Ele apenas conta a história. E pode contar essa história de cima, como se fosse uma divindade que tudo sabe e tudo vê; ou pode contar essa história de uma forma mais próxima a alguns personagens.

Em outros casos, porém, você pode usar um narrador com mais personalidade, que conta aquela narrativa da maneira como a vê. E aqui nem tudo que é relatado é confiável, uma vez que a história não traz mais um fato, mas uma versão do fato.

Também temos a possibilidade de o narrador ser mais do que alguém que apenas conte a história, mas alguém que também a vive, nos falando em primeira mão de suas experiências.

Quando também é um personagem, é comum que o narrador seja o protagonista, mas isso não é obrigatório. Veja o caso das histórias de Sherlock Holmes, em que o narrador é o médico Watson. Essa escolha por parte do escritor Conan Doyle, de não usar Holmes como narrador, é estratégica e extremamente inteligente. Ela faz com que os mistérios nos pareçam mais complexos além de tornar a própria personalidade do personagem central mais enigmática e complicada – afinal, enxergamos tanto os casos investigativos quanto o próprio Holmes pelos olhos de Watson. Algo parecido também acontece em “O Grande Gatsby” e tantas outras obras.

Quem é o narrador, então? É quem conta a história.

E uma mesma história pode soar totalmente diferente dependendo de quem a conta. Por isso, reflita sobre qual voz e visão será a mais interessante para dar vida à narrativa que você imaginou.

Seria a sua voz? Seria uma voz misteriosa? Seria a voz de um personagem? Para essa decisão não há truque ou técnica que dê conta.

Para essa decisão não há escapatória. Você terá que sentar e conversar com o universo de narradores que habitam a sua cabeça. Mas há uma boa notícia: todos eles adoram contar histórias.

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