Como escrever histórias longas?

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Pergunta: Tenho mais facilidade em escrever contos e histórias curtas, mas eu gostaria de escrever histórias maiores. Tem alguma dica?

Tenho, sim!

Quando a gente começa a se aventurar pela escrita, é comum começarmos por contos e histórias mais curtas. E não há problema nenhum nisso. Eu mesmo sou muito fã de novelas… concordo com o Edgard Allan Poe, que dizia que elas possuem o formato perfeito para uma história escrita, pois o leitor consegue terminá-la em uma só paulada.

Porém, com o tempo, também é comum que aquele desejo de se desafiar e dar um passo além fique cada vez mais forte. O escritor começa a ansiar por um romance, por vencer esse desafio.

Isso é ótimo.

Eu acredito que todo escritor devia escrever pelo menos um romance na vida. A experiência é diferente de qualquer outra coisa que você possa provar. É difícil, frustrante, empolgante, revelador e absurdamente recompensador. Você descobrirá aspectos seus como artista que nunca suspeitou que tivesse.

Dito isso, sim, pode ser bem complicado até você pegar o jeito.

Ao estudar os princípios básicos do storytelling e da estrutura de histórias, a gente consegue enxergar a sua aplicação em uma história curtinha. Mas, quando vamos para um história mais longa, a sensação que fica é a de que não temos tanto conteúdo pra preencher aquele monte de páginas.

A gente até vê o personagem e sua jornada… seu objetivo e alguns obstáculos no meio do caminho. Mas ainda assim parece que o que temos não é suficiente para um romance. E provavelmente não é suficiente mesmo.

O que fazer então?

Sendo curto e grosso: inserir mais jornadas que complementem a jornada central.

Uma história longa pede por mais personagens, com subtramas e objetivos secundários.

Vou dar um exemplo, pra facilitar:

No meu livro Mortos-Vivos & Dragões eu tenho um personagem principal, o Valentin. A jornada dele sempre esteve bem clara para mim e é ele quem simboliza a mensagem central que eu queria passar (e também é ele quem sofre a maior transformação). Seria possível contar a história apenas com a jornada desse personagem, mas isso deixaria o livro muito curto.

O que eu fiz então?

Eu coloquei mais dois personagens na parada: Manara e Gawrghonite.

Cada um deles tinha sua própria jornada, com seu próprio objetivo. Contudo, essas jornadas complementavam a jornada do Valentin. Elas fortaleciam a ideia geral da trama e aprofundavam a experiência.

Ah, Nano, mas eu não quero colocar mais personagens.

Então você precisa criar objetivos secundários para o seu protagonista. Ele continuará tendo um grande objetivo central, mas, também contará com outras coisinhas que precisa alcançar pelo caminho. Talvez o seu protagonista precise lidar com coisas como uma doença, um relacionamento que está ruindo, com a falta de dinheiro, com a morte de um parente… tudo isso enquanto busca o sucesso como músico.

O objetivo central seria o sucesso, mas, para chegar lá, seria necessário colocar a casa em ordem em outras searas também.

Entende o que quero dizer?

Se você quer se aventurar pela escrita de obras mais longas, essa é a dica mais prática que posso te dar. Coloque em ação e eu tenho certeza que as coisas ficarão mais fáceis.

Um abraço e continue criando!

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  1. Eu estou fazendo justamente isso. Quando tive a ideia de escrever, queria focar apenas na personagem principal, mas eu iria ficar perdido com as outras tramas da história. Então, redistribui o ponto de vista entre outros personagens, e vi que assim é mais fácil de explorar essas outras tramas! 🙂

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