Como Escrever Uma Cena Sem Enrolação

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Em primeiro lugar, vale um reforço: cena não é a mesma coisa que capítulo. Um capítulo pode ser composto de uma só cena ou então conter diversas delas. Hoje há uma tendência, com autores super ultra best-sellers, de se utilizar capítulos curtos — praticamente um capítulo por cena. Mas, sinceramente, isso vai depender muito do seu estilo de escrita.

A definição mais simples para cena é…

algo acontecendo em algum lugar em determinado espaço de tempo.

Teve quebra no espaço ou no tempo? Então acabou a cena.

Mas não se preocupe tanto com isso ainda. Preocupe-se em saber para quê serve uma cena.

1) Mover a História

2) Revelar Personagem

3) Revelar Cenário

Se a sua cena não cumpre nenhuma dessas funções, ela pode ser descartada. Sim, eu sei que dói, mas é para o bem, acredite.

A sua cena cumpre alguma daquelas funções? Aí sim estamos começando a conversar.

Para tornar a sua cena mais dinâmica, é interessante tentar usar pelo menos duas daquelas utilidades que citei, ao invés de uma só. Chamamos isso de double duty!

O que isso quer dizer, na prática?

Que, ao invés de criar uma cena apenas para revelar um cenário e/ou personagem, dá para fazê-la mover a história também.

De repente aquele seu protagonista está no trabalho quando acaba se irritando com uma colega e “estoura”. Ele berra, ameaçando e xingando antes de finalmente se desculpar e se acalmar.

Tudo bem, até aqui mostramos que ele é impaciente e dado a impulsos violentos. Poderia terminar por aí. Mas nós também poderíamos continuar e fazer diversos colegas testemunharem o momento de agressividade. Entre esses colegas, poderíamos ter um psicopata que vê ali a chance perfeita para cometer um crime e jogar a culpa no protagonista esquentadinho.

Entende o que quero dizer? 😉

Certo, vimos para quê serve a cena, mas como é a sua estrutura? O que devemos colocar nela?

Hoje em dia o que se ensina em muitos livros de técnicas e workshops é o uso da Cena de Ação e Cena de Reação, cada uma com 3 elementos.

De forma bastante resumida, funciona assim:

Cena de Ação (ocorre no exterior do personagem)

O personagem tem um objetivo.

Ele encontra dificuldades para alcançar o objetivo.

Um grande desastre acontece.

Cena de Reação (ocorre no interior do personagem)

O personagem reflete sobre o que acabou de acontecer.

O personagem se vê num dilema: o que fazer agora?

O personagem toma uma decisão sobre como agir.

É isso. Essa estrutura parece bobinha, mas consegue encadear cenas em uma sequência lógica e eficiente. Se você dominar a técnica, pode ter certeza que será bem-sucedido na sua escrita. Você terminará a história e ela será agradável a leitor.

Para quem procura um método simples, direto e eficaz, pode investir sem medo.

Legal, mas essa é a única forma?

Não. Há outras maneiras de se escrever uma cena. Escolas diferentes que funcionam em maior ou menor grau, dependendo de cada escritor.

Eu mesmo estou brincando com diversas técnicas e construindo uma “fórmula” que se encaixa no meu estilo e que tem como base apenas dois elementos. Já testei algumas vezes e parece funcionar.

Mas isso é assunto para outras conversas.

Por ora, vamos brincar com coisas acontecendo em um determinado lugar, em um determinado espaço de tempo! 😉

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