Como usar símbolos em uma história: objetivos

Um herói é chamado para uma missão dificílima.

A virgem, jovem e bela princesa (antes de reclamar, leita tudo) foi sequestrada por uma fera diabólica e mais ninguém possui as habilidades ou coragem necessárias para resgatar a donzela.

Cabe ao herói cumprir essa tarefa, mas há enormes riscos envolvidos e, para ter sucesso, ele deverá enfrentar a morte cara a cara.

Quantas narrativas desse tipo existiram na história da humanidade? Incontáveis.

Hoje fica fácil ridicularizá-las e reclamar de suas características primitivas, preconceituosas, machistas, etc. Mas, se você quer escrever em outro nível, não pode se limitar a isso. Você deve ir além e compreender por que essas características foram utilizadas. E por que deram tão certo.

No exemplo que utilizei, o objetivo estava representado na forma da princesa jovem e virgem. Uma análise cuidadosa, porém, mostrará que a própria princesa era um símbolo para algo mais poderoso… e que valorizamos até hoje, embora de outras formas.

O objetivo – materializado no resgatde da princesa – era, na verdade, salvar a pureza. Proteger a pureza da fera (que, por sua vez, representa os aspectos mais baixos da natureza humana).

Naqueles tempos, a juventude e virgindade de uma mulher eram símbolos de inocência em um mundo sombrio e corrompido (não por acaso Nossa Senhora é uma virgem). Claro que, hoje em dia, as coisas estão diferentes. As representações estão diferentes. Mas o valor que damos à ideia de pureza ainda segue intacto.

Sendo assim, o que você precisa entender é que, nas melhores histórias, o objetivo do herói nunca é algo raso. Ele deve ser a encarnação de um símbolo maior.

Por isso, o objetivo de Frodo nunca foi destruir o Anel, mas derrotar a própria maldade no coração dos homens. Por isso, o objetivo de Katniss não era apenas sobreviver aos jogos, mas derrotar um sistema opressor.

Entendeu como a coisa funciona? Agora vai lá e faz!

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