De Onde Vêm as Ideias?

Eu gosto de ler biografias e assistir as entrevistas dos meus autores favoritos. Ver quais foram as influências, traumas e momentos marcantes que transformaram aquelas pessoas em grandes criativos sempre me ensina muito.

E se tem uma coisa com a qual a gente sempre acaba se deparando ao ver esse tipo de conteúdo é com a pergunta:

De onde vêm suas ideias?

Se você está lendo isso, é porque tem interesse em escrever histórias. Então talvez você mesmo já tenha se deparado com algum curioso querendo saber de onde VOCÊ tira as SUAS ideias. Já pensou nisso?

Claro que cada escritor acaba dando uma resposta um pouquinho diferente, mas se você analisa aquilo a fundo, percebe que existe algo em comum. Isso acontece porque as ideias surgem do mesmo lugar. Não importa se você é um autor de histórias infantis no Brasil ou um escritor de dramas históricos na China, as ideias de vocês têm a mesma fonte.

Já sabe qual é?

De onde vêm as ideias, afinal?

De todos os lugares.

Isso mesmo. Tudo o que ocorre ao seu redor, por mais banal que seja, pode ser matéria-prima para uma ideia.

Tá, eu sei que a resposta parece clichê, então vamos desenvolver um pouquinho mais.

A mente criativa tem uma forma muito peculiar de funcionar.

Para desenvolver ideias é preciso exercitar o seu cérebro, mas você também não pode forçá-lo demais ou acaba gerando o efeito contrário e ele se fecha. Quem já foi obrigado a tirar conceitos e ideias em pequenos espaços de tempo porque o cliente estava ali te olhando com cara brava sabe do que estou falando.

Você não pode dominar completamente a sua criatividade. Ela não vai começar a gerar grandes ideias só porque você mandou. Ela é poderosa e bonita, como um cavalo de raça, mas, assim como o animal, também pode ser muito teimosa.

O truque, então, é trabalhar COM ela. Direcioná-la.

Para isso, você precisa alimentá-la bem. E aqui chegamos no grande ponto do texto que eu quero que você guarde na memória: para gerar ideias, você precisa de repertório.

Repertório é uma série de informações, emoções, vivências, gostos, etc que você guarda no seu íntimo. Cada livro que você lê, cada viagem que faz, cada nova música que te toca. Tudo isso é repertório e acaba sendo armazenado naquele grande galpão que você tem na cabeça.

Ao viver experiências interessantes, adquirir conhecimento e experimentar emoções, você agrega material para a criação de novas ideias.

Pense na sua imaginação como um laboratório com um inventor maluco dentro. Absolutamente qualquer coisa pode ser feita ali, mas, para trabalhar, o inventor precisará de material. Ele não pode sair do laboratório e correr atrás das coisas. É você quem precisa fazer isso pra ele.

E você faz isso ao adquirir repertório!

Ficar trancado em casa vivendo uma rotina imutável, lendo apenas um assunto e ouvindo a mesma música criará uma gama de materiais muito limitada. O inventor não conseguirá fazer muita coisa de diferente com apenas aquilo em mãos.

Para gerar novas coisas você tem que viver novas coisas. Conhecer pessoas, aprender algo novo, viajar — nem que seja na maionese.

No fundo, a criatividade nada mais é do que a habilidade de unir coisas que já existem de formas totalmente novas. Star Wars ainda é uma história de capa e espada com toques de ficção científica e faroeste, afinal de contas. A novidade ali foi a junção inovadora de diferentes referências.

A sua mente — o seu inventor maluco — está mais do que pronta para trabalhar. Ela vai gerar ideias bacanas. Pode confiar. Ela só precisa que você faça a sua parte.

Então deixe as páginas de rascunho de lado de vez em quando e vá aproveitar a vida. Ela está cheia de ideias esperando por você.

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