Engajando Leitores Já No Início

Uma das partes mais importantes de um livro é o início. E por início eu quero dizer o comecinho mesmo, aqueles primeiros dois ou três parágrafos.

Pode não parecer, mas aquelas poucas linhas possuem o poder de engajar o leitor ou de afastá-lo para sempre da sua história. Eu sei que parece injusto, afinal, como pode aquela pequena amostra espantar gente quando há tanta coisa linda e incrível que você preparou nos próximos capítulos?

Pois é. É injusto, mas é assim que as coisas são.

Então, ao invés de reclamarmos, que tal aprendermos um pouquinho sobre como atrair o leitor desde a primeira palavra?

Vamos começar entendendo por que o início é tão importante:

Pense no seu comportamento quando você vai selecionar um livro para leitura.

Se for um exemplar físico, é muito provável que você seja atraído pela capa e pelo título. Depois, você lê a contracapa, as orelhas e aí abre na primeira página. Esse é o grande momento. Você lê o começo do livro e, se a escrita não for boa, você desiste.

Com ebooks o que ocorre é semelhante. Você é atraído pelo título, lê a descrição, os comentários dos leitores e aí parte para a visualização gratuita de amostra que a Amazon e sites do tipo disponibilizam. Se o texto não estiver legal, você descarta a obra.

Não é assim?

Você sabe que é.

Então como podemos fortalecer o início e assim aumentar as chances de termos o livro lido?

 

  1. Comece de uma forma incomum

Quando vemos algo que foge ao padrão de normalidade, automaticamente somos atraídos para aquela situação. Algo dentro de nós quer entender e desvendar aquele mistério, quer pintar a imagem na cabeça e dar algum sentido para aquilo.

Além disso, a grande maioria das pessoas vive vidas comuns, rotineiras, sem grandes aventuras. Ao apresentar algo diferente em seu livro, você oferece a oportunidade do leitor se tornar outra pessoa e embarcar em uma grande aventura. Por algumas horas, ele poderá ser um super-herói, um guerreiro primitivo, uma política influente em um país machista.

Pense em O Hobbit e em sua frase de abertura:

Numa toca no chão vivia um hobbit.

Ao lermos isso, não conseguimos evitar pensar:

O que diabos é um hobbit? Nunca ouvi falar disso. Quero saber mais a respeito.

 

  1. Curiosidade

Esse ponto está ligado ao item anterior, mas nos toca de maneira ainda mais profunda. De certo forma, coisas incomuns nada mais são do que caminhos para alcançar a curiosidade.

Os humanos evoluíram graças ao fato de serem curiosos, de quererem entender como as coisas funcionam, por fazerem perguntas e desejarem descobrir o que viria em frente na grande jornada chamada vida. Então por que seria diferente nas histórias?

Tente inserir elementos misteriosos já no começo do livro. Informações que façam o leitor fazer perguntas e imaginar o que será que acontecerá a seguir. A ideia é fazer com que ele diga a si mesmo:

Eu tenho que continuar lendo para descobrir como isso se resolverá. Porque eu preciso descobrir. Eu preciso.

 

  1. Identificação

A identificação é um dos aspectos mais importantes da criação de personagem e da história como um todo. Inclusive gosto de pensar em personagens como pontes que permitem alcançar o leitor e puxá-los para dentro da trama.

A meta é criar um personagem com o qual o leitor possa se identificar a ponto de imaginar a si mesmo em seu lugar.

Normalmente demora algum tempo para construirmos uma identificação poderosa e envolve emoções e a manipulação correta de situações através da narração. Contudo, se você puder gerar algum tipo de identificação já no começo do livro, terá uma grande vantagem.

Eu sei que isso é bastante difícil, mas existem algumas técnicas que ajudam. Uma das mais poderosas (e uma das que mais gosto) é iniciar com alguma injustiça sendo cometida a alguém. Se você fizer isso corretamente, o leitor se colocará do lado do personagem injustiçado quase que automaticamente.

 

E lembre-se: embora o começo seja uma das partes mais importantes do livro, você não precisa estar com ele pronto logo de cara. Nada te impede de terminar a obra toda e depois voltar para dar aquela lapidada especial na primeira página! ;]


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  1. O exemplo do Hobbit é tão real, que o próprio Tolkien dizia isso. Li em diversos lugares sobre quando ele começou a escrever a saga, e escreveu a frase “Numa toca no chão vivia um Hobbit”, sendo que nem ele mesmo sabia ainda o que era um Hobbit. Foi algo espontâneo, intuitivo, tão incomum que surpreendeu o próprio autor. Genial. Simplesmente genial.

    Mais um artigo muito interessante 😀

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