Escrevendo na Prática Parte 1: A Ideia

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Então chegou a hora de colocar a mão na massa e dar a cara à tapa tudo de uma vez só rsrsrs.

Hoje quero começar uma nova fase nos conteúdos, na qual vou mesclar análise teórica, dicas, conversa e prática. É uma coisa um pouquinho diferente do que estamos acostumados e, por isso, a sua participação será fundamental. Sinta-se livre para me dizer o que está achando, passar feedback, sugestões e críticas, ok? Sempre que recebo a colaboração de colegas, o resultado acaba ficando mais agradável.

Pois bem, o que vamos fazer é estudar como foi todo o processo de criação de um livro. Do zero. Do momento da ideia até a conclusão. E, para isso, vou usar um livro de minha autoria: Mortos-Vivos & Dragões.

Mas por que isso, Nano?

Por alguns motivos simples:

Em primeiro lugar, porque, como a obra é minha, eu posso fazer o que bem entender com ela. Não corro o risco de ferir nenhum Direito Autoral.

Em segundo lugar, nessa situação eu me sinto muito mais confortável criticando a mim mesmo do que apontando “falhas” na obra de outras pessoas (que, muitas vezes, não estão tão interessadas assim em saber da minha opinião hehehe).

Eu também optei por uma obra minha porque, como você já sabe, eu sou um cara normal. Eu não investi dinheiro, nem contei com contatos especiais ou condições diferenciadas para escrever essa obra. Eu sentei na frente do meu computador, munido do meu tempo e do aprendizado que havia acumulado e então trouxe essa história para o mundo real. E, se eu posso fazer, você também pode.

Por fim, tenho certeza que essa obra possui pontos fortes e fracos e, ao comentá-los abertamente, espero ensinar a você pelo exemplo. Nós, escritores, devemos fazer o melhor possível, mas também temos que entender que nenhuma obra é perfeita. Treinar o desprendimento é uma parte importante do processo, com a qual temos que aprender a conviver.

Veremos aqui algumas características fortes minhas, mas também erros. Você inclusive notará a minha evolução como escritor (em termos de linguagem, concisão, clareza, etc), o que reforça aquilo que sempre digo: escrita é técnica, habilidade, comprometimento e prática. Trabalhe duro e você vai melhorar. É inevitável.

Já se você acreditar que apenas o talento basta… bom, aí será um pouco mais complicado.

Mas eu sei que você não acredita nisso, não de verdade, senão não estaria aqui comigo! 😉

Sendo assim, vamos parar com a enrolação e começar pela parte divertida: pela ideia.

Como Escolhi a Ideia

Eu tenho uns cadernos pequenininhos, estilo Moleskine, que carrego comigo pra cima e pra baixo. Assim, sempre que vem uma inspiração, uma referência ou um filhote de ideia (como gosto de chamar), eu anoto e deixo aquilo fermentar por um tempo.

Na época que escrevi Mortos-Vivos & Dragões, eu estava me preparando para mais uma obra. Eu sabia que queria escrever um livro longo, mas ainda não tinha me decidido entre alguns materiais rabiscados no meu caderno. Lembro que tinha algo envolvendo super-heróis, uma trama mais espiritual e também uma fantasia sombria focada em empoderamento feminino chamada No Fucking Princess (um dia ainda vou contar essa história). Contudo, nenhuma dessas opções estava me dando aquele chamado. Algo faltava e, por isso, eu me mantinha aberto a novas ideias… ou velhas!

Naqueles dias, eu consumia muitas histórias de zumbis. O seriado The Walking Dead vivia seu grande boom e aguardávamos o lançamento de Guerra Mundial Z nos cinemas. Assim, esse tema estava bastante presente na minha vida.

Inclusive, eu tinha uma ideia sobre isso já em estado bem avançado, apenas esperando para dar o próximo passo.

Voltei nos meus rabiscos no caderninho e vi que possuía páginas e páginas do que poderia virar uma trama literária. Como bônus ainda havia o fato de eu ser um entusiasta do assunto.

Então, após pedir a opinião de algumas pessoas de confiança, eu me decidi: escreveria uma história de zumbis. Mas o legal de tudo isso não foi como eu escolhi a ideia, mas como eu tive essa ideia!

Como Tive a Ideia

Pois bem, uma bela noite lá estava eu, assistindo um pouco de History Channel. Passava algo sobre o Império Romano, com combates, curiosidades e coisas do tipo. Então o meu lado criativo veio à tona e eu usei algumas das técnicas que ensinei em Como Escrever Um Livro: A Preparação do Autor.

Eu mesclei duas referencias, no caso Zumbis e Roma, e me perguntei E se?

E se houvessem zumbis durante o Império Romano?

E se a praga se alastrasse por todo o Império, dizimando a civilização mais avançada até então?

Foi como ser atingido por um raio. Eu não conseguia mais parar de pensar naquilo. Sei que pode não parecer a sacada mais original do mundo, mas realmente me motivou e dominou a minha atenção. Então eu acreditei que tinha algo interessante em mãos e liberei a imaginação.

O legal desse exercício do E se… é que, quanto mais perguntas você faz e mais situações hipotéticas imagina, mais a criatividade desperta. Em pouco tempo eu tinha um monte de rabiscos.

O que começou com uma ideia de zumbis na Roma Antiga foi para zumbis na Idade Média e daí para zumbis em um mundo de fantasia, afetando não só reinos humanos, mas também élficos, anônicos, de orcs, etc.

E essa foi a semente que deu origem à história.

Como eu me empolguei pra valer, foi fácil pegar uma folha de papel em branco e rabiscar tudo o que vinha na minha cabeça sobre o assunto. Escrevi sobre situações, temas, ideias de personagens e referencias que poderiam me ajudar. Tudo isso sem muita análise. O importante, naquele instante, era deixar a mente fluir, deixar a criança interior brincar.

Eu fiquei nessa por alguns dias. Apenas liberando o fluxo criativo dentro daquela sacada de zumbis em um mundo de fantasia.

Quando senti que a ideia estava sólida o bastante na minha mente, aí foi hora de partir para uma etapa um pouquinho mais racional, sobre a qual falaremos no próximo texto!

Bom, contei tudo isso aqui pra mostrar pra você o quanto é importante ter um caderno de anotações. Sério, não subestime o caderninho. Você nunca sabe quando uma velha ideia poderá ser aproveitada novamente.

Além disso, eu também queria demonstrar o uso prático da técnica do E Se? Quase tudo o que eu imagino e que se desenvolve em narrativas acaba nascendo dessa brincadeira. Então, eu espero que você a esteja utilizando todos os dias! 😉

É isso aí. Os livros nascem de coisas simples. Não há grandes segredos, mas é necessário se permitir imaginar, treinar a cabeça para as possibilidades e não deixar os momentos criativos irem embora.

Que tal praticar? Boa escrita e até a próxima!

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