Escrevendo na Prática Parte 2: Desenvolvendo a Ideia

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No último post nós começamos a ver a criação de um livro na prática. Agora vamos continuar com a brincadeira, vendo como pegar aquela sementinha inicial e regar para que ela possa crescer! 😉

Então… eu sabia que queria escrever sobre mortos-vivos em um mundo de fantasia. Maravilha.  Primeiro passo dado.

Só que isso não queria dizer muita coisa em termos de história, não é mesmo? Tudo bem, eu tinha uma sementinha, mas ainda não contava com personagens, cenário, detalhes e, o mais importante de tudo, eu ainda não contava com um tema.

Sobre o que eu iria falar?

Mortos-vivos, claro. Mas o que isso queria dizer? Os zumbis seriam uma metáfora pra quê?

Com essas perguntas em mentes eu comecei a explorar os temas que me interessavam.

Muito embora Mortos-Vivos & Dragões se tratasse de uma história sem grandes pretensões, eu sabia que queria tocar em certos pontos. Queria cutucar o leitor com algumas passagens.

Assim, eu comecei a listar questões:

  • Violência
  • Natureza humana
  • Sobrevivência do mais apto
  • Sociedade
  • Busca por conhecimento
  • Morte
Teve muito mais coisa, mas esses pontos aí em cima eram os principais. E, quando eu cheguei em “morte”, eu parei e fiz um grande círculo ao redor da palavra. Ali estava. Simples assim.

Eu queria uma história que abordasse a morte e nossa relação com ela.Queria criar algo que estivesse ligado à nossa busca por superar, entender e conviver com a morte (coisas que acho muito difíceis).

Eu tinha encontrado o meu tema… e, sem saber, estava começando a criar os personagens principais e a trama de Mortos-Vivos & Dragões também.

Bom, mas enquanto a trama e personagens ainda se formavam no meu caldeirão mental, eu decidi brincar mais um pouco. Resolvi que podia partir para um dos meus passatempos criativos favoritos: a criação de cenário.

Não vou me alongar aqui explicando todos os pormenores da criação de cenários (talvez isso possa render um post ou um livro próprio, se vocês tiverem interesse no assunto), mas envolveu pesquisa sobre histórias de zumbis e referências da cultura pop.

Ao final do processo, eu havia criado o fantástico mundo de Romeryon (o nome veio como homenagem a George Romero). Tínhamos um grande reino ao norte, cidades comerciantes independentes ao sul, arquipélagos no mar do leste e um grande mistério no mar do oeste. No meio disso tudo encontrávamos as montanhas Gongolin, lar dos anões, florestas élficas e as bárbaras Terras Mortas, onde só os mais implacáveis conseguiam sobreviver.

A vibe seria mais na linha do low-fantasy, em um clima mais sombrio e bruto, porque é o que eu me divirto escrevendo.

Eu também escrevi algo parecido com a Bíblia do Personagem (se você leu Como Escrever Um Livro: Personagem e Trama, você sabe bem do que estou falando), mas sobre o cenário. Ali eu tinha anotações sobre a história do mundo, as principais divindades, costumes e possíveis explicações para a infestação zumbi.

Foi um processo de algumas semanas, mas que, depois de terminado, me deu insumos para muitas possíveis histórias. Mas faltava ver a impressão do público.

Nessa fase, os escritores costumam conversar com amigos e leitores, com agentes literários ou outras pessoas de confiança.  Uma conversa inicial pra ver se a ideia é bacana e vale investir.

Eu faço isso também.

Mas, no caso de Mortos-Vivos & Dragões, usei uma dinâmica um pouco diferente. Como eu sou um grande fã de RPG, resolvi que ia narrar um jogo que se passasse dentro do meu mais novo cenário. Se ele empolgasse, eu daria prosseguimento, caso contrário, teria ao menos rendido alguns bons encontros entre amigos.

Mas isso eu vou detalhar no próximo texto. Por enquanto quero que você guarde um aprendizado: o seu trabalho como criativo é produzir, mesmo quando não está escrevendo.

Existe uma fase antes de você sentar para escrever que exige pesquisa, elucubrações,  imaginação e muito rascunho. Trate essa fase com o mesmo comprometimento que trataria a escrita do livro. Reserve um horário para refletir sobre a sua história, já no seu local de escrita. Quanto antes você criar o hábito e reservar aquelas horas mágicas pra você, menos traumático será na hora de escrever pra valer.

Criatividade. Foco. Hábito. Invista nisso e já saia na frente, ok? 😉


Para ler a parte 1 clique aqui.

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