Escrevendo na Prática Parte 6: Metas

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Esse post faz parte da série “Escrevendo na Prática”. Clique aqui para ler o post anterior.


Muito bem, os testes quanto ao cenário e à ideia central da minha história tinham dado certo. Eu vi, na prática, que o Ponto Sem Retorno funcionava e que eu possuía uma grande gama de obstáculos para explorar no Ato II.

Tudo isso era bastante animador. Somado às minhas pesquisas e rabiscos iniciais, era mais do que suficiente para eu partir para a escrita.

Sendo assim, eu encerrei os testes com os jogos de RPG (embora continuasse jogando naquele cenário por muito tempo ainda) e sentei na minha escrivaninha para trabalhar.

Você pode pensar que o meu primeiro impulso foi abrir o Word e começar a narrar todas as aventuras vividas durante o jogo, certo?

Bom, as coisas aconteceram um pouquinho diferente.

A primeira coisa que eu fiz foi pensar em um plano de ação.

Eu peguei uma folha de papel e anotei tudo o que eu precisaria para a história e também quais eram as minhas metas.

Como esse livro seria criado para me divertir, mas também como uma experiência técnica, eu achei por bem me desafiar um pouquinho.

Lá no topo da página de papel eu rabisquei: “Prazo – 30 dias”.

Ou seja, eu teria um mês para criar o livro.

Nesse tempo eu não estava calculando revisão e uma eventual edição. Apenas a escrita da primeira versão. Mas teria que ser uma primeira versão completa. Pelo menos 50.000 palavras.

Legal, mas um prazo de 30 dias ainda é uma coisa muito distante, muito difícil de materializar. Eu precisava deixar aquilo mais simplificado na minha mente. Eu precisava de algo que me desse uma noção diária da coisa.

Então calculei quantas palavras eu precisaria escrever por dia para alcançar a meta.

Se um livro de 200 páginas tem cerca de 50.000 palavras e eu tinha um mês para alcançá-las, isso me deixava com a meta diária de 1.666 palavras.

Ok, não parecia tão complicado. Nessa época da minha vida eu já tinha o hábito de escrever pouco mais de mil palavras por dia mesmo.

Só que as coisas eram um pouco mais complicadas.

Eu sabia que era bem difícil escrever no final de semana. Muitas coisas surgiam para “atrapalhar”, como amigos, família e compromissos sociais. Achei por bem excluir os finais de semana do meu cálculo. Se eu conseguisse produzir alguma coisa naqueles dias, ótimo. Caso contrário, isso não me pegaria de surpresa.

Excluindo os sábados e domingos do mês, eu fiquei com 8 dias a menos de escrita, o que me deixava com 22 dias.

Isso significava que, para alcançar a minha meta mínima, eu precisaria escrever 2.273 palavras por dia. Mil a mais do que eu estava acostumado.

Será que daria certo?

Veja bem, traçar metas é algo que considero extremamente necessário em qualquer projeto – e isso não é diferente na escrita de um livro –, mas existe toda uma arte por trás disso. Se você traça uma meta muito fácil, a coisa pode perder a graça. Já se você traça uma meta muito ambiciosa, ela pode se tornar um martírio e te desestimular.

Eu pensei, refleti e vi que dava. Mil palavras a mais por dia era um risco que eu estava disposto a tomar, além de ser um ótimo exercício.

Como o projeto seria de curta duração (1 mês), eu poderia fazer alguns sacrifícios.

E assim eu assumi um importante compromisso comigo mesmo. Um compromisso que me motivou em muitos momentos de cansaço e de falta de vontade.

Por isso eu quero reforçar a importância de uma meta clara para o seu projeto. Ela irá te guiar, te dar uma sensação de evolução e mostrar que é possível.

Ao traçar a sua meta, não pense em coisas muito abstratas. Assim como eu calculei a quantidade diária de palavras que eu precisaria escrever, você também deve simplificar o entendimento da sua própria meta. Pode ser por número de palavras, quantidade de páginas ou até mesmo quantas horas por dia você dedicará ao ofício. Cada caso é um caso.

O que não muda é o benefício que um objetivo bem delimitado traz para a sua prática de escrita.

Contudo, lembre-se que a meta deve ser realista. Nada destrói escritores mais rapidamente do que metas mal calculadas. Basta você falhar nos seus objetivos diários algumas vezes para ver a motivação e a vontade de escrever indo pelo ralo.

Peque aqui e em pouco tempo estará pensando que escrever um livo é uma tarefa impossível e que você não leva jeito para a coisa.

Você escreve um livro da mesma forma que come um elefante: um pedacinho por vez. Estabeleça corretamente esses pedacinhos, lide com eles um de cada vez, e você chegará lá.

Então, que tal começar agora?

Reserve uma semana para escrever uma pequena história.

Eu quero que, durante 5 dias, você se comprometa a escrever 500 palavras (ou 30 minutos) diários. Nada mais do que isso.

Não se preocupe com a qualidade do texto ou com eventuais edições. Apenas exercite o seu músculo da escrita.

Perceba as diferentes sensações que você tem ao longo desses dias e não estranhe se as primeiras vezes forem mais difíceis. Ao final tudo deve estar saindo de um jeito muito mais natural.

Topa o desafio?

Maravilha.

E depois não esqueça de vir me falar sobra a história que criou.

Um abraço e boa escrita!

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