Escritores, Comecem a Jogar Vídeo-Game

Esta é uma adaptação do texto de Tom Farr. Leia o original aqui.

Há algum tempo eu venho pensando que os escritores do futuro precisarão estar muito ligados aos games. Da mesma forma como o cinema causou grandes mudanças no jeito de se escrever literatura, eu acredito que o mesmo acontecerá com os vídeo-games. E então eu me deparei com esse texto muito bacana. Para dividir a ideia com um maior número de pessoas, resolvi traduzir os pontos principais e adicionar um ou outro comentário.

Em primeiro lugar, vale dizer para todos que não possuem o hábito de jogar, que os games se desenvolveram ao longo das décadas e estão dando cada vez mais importância para a narrativa. Mas, mesmo antes dessa revolução, os games que se tornaram imortais já tratavam de histórias. Super Mário é um conto sobre um encanador que deve salvar uma princesa, afinal de contas. Então, aí vai uma listinha de coisas que você pode aprender com os vídeo-games.

6 Coisas que escritores podem aprender com vídeo-games

Escritores são, antes de mais nada, contadores de histórias. Eles precisam aprender com todos os meios possíveis e os vídeo-games não são exceção. Nem só de livros, filmes e seriados de TV é feito o storytelling.

1. Construção de mundos

Mundos são essenciais nos games. Desenvolvedores gastam meses — por vezes anos — construindo o cenário da história. O mundo do jogo deve ser interessante e estimular o jogador a explorá-lo, a conhecê-lo a fazer dele sua casa. Lembro quando eu jogava The Matrix: Path of Neo. Eu gostava de apagar todas as luzes da sala e então ligar o Playstation. A sensação era a de que eu estava entrando de fato na Matrix e que aquilo era a minha realidade verdadeira. Nerdice, eu sei!

Escritores podem aprender como criar uma experiência de imersão mais poderosa para os leitores ao fazer do cenário um elemento vital da história.Harry Potter não seria a mesma coisa sem Hogwarts.

Se você quer criar uma experiência de imersão para a sua audiência, você precisa gastar um tempo se dedicando a criar o mundo da história.

2. Histórias guiadas por conflito

Todo Contador de histórias sabe que o conflito é o motor de toda trama. Sem conflito, não há livro. O mesmo ocorre nos games. Na verdade, é o conflito que faz os jogadores quererem jogar, pra começo de conversa. A ideia de derrotar um mal que assola o mundo ou então proteger uma garotinha em meio a um apocalipse zumbi é irresistível e trará as pessoas para mais.

O roteiro de games é um ótimo exemplo de como manter sua história focada em conflito.

3. Personagens complexos e marcantes

Eu gostei muito de Diablo III. A trama é bacana, a mitologia interessante e os personagens tem sua própria história. Eu jogava com o Bárbaro e, a certa altura do jogo, uma personagem que tentávamos ajudar acabou tendo o pior destino possível. Recordo que foi preciso parar por um momento e me recuperar emocionalmente do choque antes de continuar. Afinal de contas, aquela personagem confiava em mim. Ela dependia de MIM! O envolvimento foi no nível pessoal. Por quê? Porque era uma personagem bem construída.

Isso serve para dizer que, conforme os games evoluem, a profundidade dos personagens também evolui. Roteiristas e escritores querem criar personagens inesquecíveis, que gerem conexões nesse nível pessoal ao qual me referi acima.

4. Explore emoções

Se você realmente quer jogar um leitor dentro da história, você precisa apelar para as emoções. Muitos roteiristas de games já perceberam isso e nos presenteiam com cenas cheias de drama e angústia que ressoam nas nossas emoções mais básicas como amor, raiva, frustração, coragem, etc.

Qualquer história que queira engajar sua audiência deve mergulhar nas emoções dessa audiência.

5. Histórias que tratam de resolução de problemas

Em toda história o protagonista se depara com um problema e passa o resto da trama tentando resolvê-lo. Ao longo do caminho ele encontra problemas menores que também devem ser solucionados para que ele possa seguir adiante.

Vídeo-games são essencialmente sobre resolução de problemas. Muitos games, aliás, trazem verdadeiros quebra-cabeças que devem ser resolvidos pelos jogadores antes de se avançar na história.

Quando você escreve um livro, uma das melhores formas de manter suatrama indo para frente é criar problemas e deixar o protagonista descobrir formas de lidar com eles. E nada de soluções óbvias. Você deve criar problemas que obriguem o seu protagonista a raciocinar fora da casinha para que seu público não adivinhe o que vai acontecer.

6. Escreva com seu público em mente

A melhor estratégia que um contador de histórias pode aprender com os games é a de criar uma trama com um público específico em mente.

Desenvolvedores de games passam muito tempo bolando um jogo que eles esperam que muitas pessoas comprem e joguem por horas e horas. Eles querem que a experiência seja boa. Eles querem que esse mesmo público volte para o próximo jogo — e uma das formas de aumentar as chances disso acontecer é conhecendo seu público, seus gostos e preferências.

E não é exatamente assim para nós, escritores?

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