Livro Vs. Ebook: Nessa briga quem perde é você

Hoje li um texto muito bom da Camila Cabete sobre essa briguinha que existe entre entusiastas dos livros físicos e fãs de livros digitais.

Ao que parece, a venda de ebooks na Amazon dos Estados Unidos caiu, pela primeira vez, desde o lançamento do formato. Este fato fez um bocado de gente sair soltando fogos por aí e celebrando o “fim” do tão terrível ebook.

Em primeiro lugar, celebrar a queda da venda de livros, em qualquer que seja o formato, é de uma estupidez tremenda.

Em segundo lugar, essa queda não quer dizer que os ebooks vão acabar.

Vamos analisar os pontos com calma.

Quando o formato do livro digital foi anunciado, muita gente torceu o nariz, com medo de que o já difícil mercado do livro tradicional entraria em colapso.

Eu me incluo nesse grupo.

Demorei muito para finalmente dar uma chance ao ebook porque, para mim, existia toda uma mística por trás das páginas de papel, do cheiro do livro, da textura da capa.

Mas aí chegou um ponto em que eu finalmente me rendi. E isso ocorreu por vários motivos: falta de espaço físico em casa, preço mais em conta, possibilidade de conhecer novos autores que não tinham vez em editoras tradicionais, facilidade de entrega (como sou ansioso, adoro essa história de ter o livro no meu iPad com apenas um clique) e experiência de leitura.

Sim, experiência de leitura.

Desde que abracei o ebook tenho lido uma quantidade maior de livros e de forma muito mais rápida. Consigo sublinhar os trechos que mais gosto com um movimento do dedo indicador e depois encontro esses trechos com grande facilidade.

É perfeito para os livros de não-ficção.

Para os de ficção, ainda prefiro os livros físicos. Eles me ajudam a relaxar, a me desconectar e a ter uma experiência sensorial diferente. É uma espécie de meditação.

Assim eu vi que livros físicos e digitais não precisavam competir, mas poderiam se complementar no que dizia respeito a atender minhas necessidades como leitor.

E é por isso que acho muito estúpido celebrar a queda dos ebooks.

As pessoas que estão felizes pelo movimento descendente das vendas dos livros digitais parecem não entender que não são os ebooks que estão se retraindo, mas os leitores.

Essa queda de vendas quer dizer que há menos gente lendo – ou interessada em ler. E isso, pra quem trabalha com a escrita, é uma droga. Isso afeta a todos nós, quer você publique de forma digital ou física.

No fim das contas, somos escritores. Devemos nos importar mais com o conteúdo dos livros do que com a forma como são distribuídos ou lidos.

Mas calma que nem tudo é desgraça.

Esse lance de ter menos gente comprando livros digitais nos Estados Unidos não quer dizer que a indústria vai entrar em crise ou acabar. Nada disso. É apenas um movimento normal de um mercado maduro que agora encontrou seu equilíbrio.

Os americanos consomem muitos livros. Muitos. Não vou nem comparar com o Brasil porque nisso a gente perde de lavada. E, quando os ebooks apareceram, os americanos embarcaram na brincadeira de cabeça.

Faça a experiência: entre na Amazon dos EUA e veja os números de comentários, avaliações e vendas. Depois compare com a Amazon aqui do Brasil.

Os americanos estão na nossa frente e isso é inegável. O que aconteceu agora é que, após anos com um mercado crescendo sem parar, a coisa deu uma estagnada. Devemos ficar de olhos nos números dos próximos anos, claro, mas eu duvido que o ebook acabe. Duvido mesmo!

E outra: aqui no Brasil nós estamos longe de chegar no nível americano de leitura ou venda de livros. Ainda temos muito para crescer antes de pensarmos em quedas. Nosso mercado editorial digital ainda é infante e cheio de falhas, e temos que trabalhar juntos para consertá-las.

O ebook pode ser um grande aliado. Ele facilita o acesso a leitura, dá espaço a novos autores e até mesmo resgatou um formato literário que andava bastante esquecido devido à relação custo X benefício de sua produção em formato físico – a novela.

Bom, já estou me alongando mais do que pretendia. O que quero dizer com isso tudo é que nós, amantes de livros, não devemos tomar lados. Não devemos torcer pelo livro digital ou pelo livro físico, mas pelo livro… em qualquer forma que ele exista. O que precisamos fazer é trabalhar em prol da leitura, estimular mais gente a vir nessa onda, treinar escritores e lutar para garantir livros mais baratos e acessíveis a todos.

Estamos todos no mesmo barco, afinal de contas.


 

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