A maior das histórias

A minha vida toda eu adorei histórias.

Quando criança, gastava horas criando uma narrativa gigante com os meus bonequinhos dos Comandos Em Ação ou então desenhando meus próprios gibis, com super-heróis bizarros e que não faziam sentido algum, mas que eram meus… criados a partir da minha cabeça infantil.

Depois veio a adolescência e a paixão por filmes e jogos de RPG. Aí a escrita de contos, depois de romances. Por fim, veio o storytelling e a publicidade.

Sempre me senti privilegiado de poder trabalhar criando coisas. Usando a minha imaginação. Bolando histórias. Na verdade eu achava que esse era o máximo da vida criativa:

Eu criava histórias como trabalho. Eu criava histórias no meu hobby (RPG, até hoje). Eu criava histórias por paixão, em livros. E, nas horas vagas, eu lia, assistia e ouvia histórias para relaxar.

Não dá pra ficar muito melhor que isso, não é?

Eu também achava, até me deparar com uma história muito, mas MUITO maior.

No começo do ano eu descobri que ia ser pai.

Não adianta tentar explicar aqui… se você ainda não é pai, não vai entender o que estou falando e, se você já é, as explicações são desnecessárias.

Descobrir a paternidade é uma experiência que nos muda no nível mais profundo. A visão de mundo é transformada. As preocupações, ansiedades e objetivos ganham urgência. O amor é experimentado de forma diferente.

Mas isso não vem em um embalo só. Afinal, ao contrário da mulher, o homem vai vivendo a paternidade mais lentamente, conforme a gestação evolui e ele se imagina no papel de pai. O homem vai trocando uma velha narrativa por uma nova, mais altruísta.

Meu filho ainda não nasceu, mas, a cada dia, ele fica mais claro na minha cabeça e coração. Eu o imagino no colo, imagino brincando comigo, imagino ele indo para a escola, fazendo amigos, se apaixonando pela primeira vez. Eu imagino essa nova história com tanta força que ela até suprimiu o meu interesse em outras histórias… de repente ler e escrever não é mais tão importante. De repente jogar RPG e ir ao cinema é bem menos divertido do que procurar itens para bebês no google.

Loucura, né?

Eu estou descobrindo que a gestação do meu filho tem suas similaridades com a escrita: tudo começa com uma ideia que nos encanta, aí aquilo vai crescendo, se tornando mais real. Depois, a gente passa a materializar aquela criação, fazendo um pouquinho por dia, um capítulo de cada vez, mas sempre pensando no próximo passo. Aí, conforme nos aproximamos do fim, o senso de urgência vai ficando maior e maior até o grande momento do clímax (que vou experimentar no começo de 2019).

Talvez seja por isso que resolvi escrever sobre o assunto. Enquanto minha mulher gera nosso filho na barriga, eu vou gerando um legado no papel, para deixar pro garoto quando ele for mais velho.

Esse meu projeto é diferente de tudo o que já escrevi. É uma mistura de diário com caderno de confissões com livro de crônicas. Um livro honesto e cheio de humor negro sobre essa experiência maluca. É uma obra que não sei quando terminará e nem como. Uma história que eu não tenho como planejar a fundo, pois estou descobrindo conforme caminho.

Essa obra me assusta, mas também me enche de alegria… como a própria ideia de ser pai. Afinal, não interessa quantos livros eu escreva na vida, nenhuma história será maior do que esta.

Eu ainda não sei se vou colocar capítulos do livro aqui no blog, mas adoraria dividir com você, meu leitor, o título e o primeiro rascunho da capa. O que você acha? =)

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  1. Eu. Gostei da Capa. Tiraria a caveira. Não combina com bebê. Bebê é doce, o seu sorriso derrete a gente.

    1. Oi, Lídia! Obrigado pela resposta =)
      A caveira está ali justamente para contrastar, já que sou um papai meio rock n roll hehehe
      A ideia é um livro divertido, que conta todas as alegrias e dores do processo… mas sempre deixando claro que vale muito a pena! <3

  2. Esta é, sem dúvidas, a mais linda das histórias que você ousou contar. E você não imagina o tamanho da felicidade que eu sinto em fazer parte dela. Nós dois aqui desse lado amamos você. <3

  3. Eu adorei a capa meio macabra. Ainda mais o título. Como que vai ser um livro de humor negro,acredito que vai dá certo. E parabéns pelo makenting da capa.Qualquer pessoa estaria curiosa em ler.

    1. Hahhaha… muito obrigado, Layon. Tenho certeza que ainda vou passar por poucas e boas antes de concluir esse livro, mas sei que vou adorar cada etapa do caminho =D

  4. É a maior aventura que você embarcará na sua vida! Um misto de insanidade e regozijo, rsrs… Parabéns, Nano. Ansiosa pelos próximos “capítulos”.

    1. Obrigado, Thay!
      Eu mal posso esperar para começar essa jornada do herói aí hehehe.
      Obrigado pelo apoio =)

  5. Muito boa a capa, muito boa a proposta.
    Realmente, apenas quem tem o seu filho, fora da barriga ou não consegue ter a dimensão do que você está dizendo.
    Eu já fui imortal muitas vezes, o tempo não resvalava em mim, medo era coisa que não existia no meu mundo.
    Virei mortal quando meu filho nasceu, conheci o medo após a chegada do Bento. Hoje tudo me soa mais veloz, perigoso e eu tenho que fazer de tudo para permanecer vivo, preciso crescer com o meu filho.
    Dos amores que jurei, que muitas vezes li nos livros, assisti nos filmes, esse é o amor em seu ápice e desapego.
    Parabéns pela idéia, certamente já possui um leitor aqui!

    1. Henrique, muito lindo isso que você escreveu. Expressa muito bem esse sentimento que vai nos dominando.
      Muito obrigado pelo apoio…. e olha só uma curiosidade: no nome do meu filhote é Henrique! hahahaha

  6. Bastante diferente para o tema proposto, mas gostei.Tudo combina a concepção . A criança é enigmática, adora explorar o ambiente e humor negro é com ela mesmo. Parabéns à família e muitas alegrias para o bambino. Abraços

  7. Capa legal! Gosto muito dessas cores.
    Acrescentaria uma latinha de cerveja em cima da caveirinha e um cigarro embaixo.(rs)
    Parabéns pela paternidade.
    Mais, acho engraçado os pais da atualidade, tenho dois e estão quase com a minha idade.(rs)

    1. Hhahahah sugestões anotadas, Aureo.
      É uma experiência muito doida mesmo, mas inigualável.
      Um abraço e obrigado!

  8. hahahaha que ideia fantástica Nano!
    Tenho certeza que essa será uma das melhores histórias que você escreverá (:
    o dia que quiser compartilhar, tenha certeza que tem mais um leitor garantido!
    Adorei a capa hahaha
    Abraço

    1. Muito obrigado pelo apoio e pela gentileza, Fernando. Estou pensando com muito carinho em compartilhar os capítulos por aqui.
      Obrigado mesmo pelo estímulo =)
      Abração

  9. Nano, que texto lindo. Você será um pai incrível! Essa história ficará ainda mais emotiva, engraçada, dramática e amorosa quando nascer o seu baby. Todos os livros por aí são focados nas mães, o seu foge total do clichê ; )
    Curti título e capa. Beijo

  10. Meu filho querido,
    Você está vivendo a maior e mais bonita experiência desta vida!
    Sei que vai compartilhá-la através das palavras, encantando a todos nós, como sempre faz.
    Tento segurar a ansiedade, mas já transbordo de amor pelo meu neto.

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