Processo Criativo: Paula Giannini

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Hoje temos um texto diferente. Uma colaboração da atriz e dramaturga Paula Giannini (você deve conhecê-la da peça Casal TPM). A Paula está lançando um livro e foi super gentil de dividir com a gente um pouco do seu processo criativo… então, se você também enxerga a literatura como música, com certeza vai curtir o texto abaixo! 😉


No princípio era o teatro. A palavra falada, os personagens, a trama precisa da carpintaria, das rubricas. Eu respirava teatro, comia teatro, vivia.

E ainda vivo.

Vivo de escrever e atuar no teatro. Sou atriz e dramaturga, produtora, assessora de imprensa… Nas artes cênicas a gente faz de tudo. E onde não?

Mas o tecido das palavras insistia em contar histórias outras que não as do palco, em se libertar para além da cena, para além da interpretação que o ator dá ao que está escrito. E assim foi. Tentando ir além. Escrevendo.

Foi unindo uma palavra a outra e esta, por sua vez, a outra e outra mais, que a prosa se fez.

Em trânsito.

Entre um espetáculo e outro, foi ali que tudo começou. Na estrada. Moro longe do auditório onde minha peça Casal TPM, comédia de sucesso de público, estava em cartaz. Na verdade, em outra cidade. E foi no asfalto cotidiano, entre São Paulo e Itanhaém – Litoral de SP, entre conversas do elenco e dos amigos, e as músicas do pen-drive a se repetir, sempre as mesmas, que (re)descobri o meu celular. Ou ao menos a verdadeira utilidade deste para mim.

Sim, oitenta porcento do meu livro de contos de estreia, “Pequenas Mortes Cotidianas” foi escrito ali, no smarthphone.

No princípio, eu experimentava com os roteiros. Mas literatura é música (ao menos para mim). Uma nota que se enlaça à seguinte, fazendo vibrar a harmonia ou as letras. E a melodia das tramas insistia que aquelas histórias fossem contadas em prosa. E assim foi. Em prosa e na estrada, via celular. Com o corretor de texto insistindo que eu desse dois passos para frente e uns, vários, para trás. Depois eu chegava em casa e descobria que a falta de internet em alguns trechos da rodovia causava conflitos entre os arquivos acessados ora do tablet, ora do computador. E trechos de textos inteiros foram apagados até eu me entender com aquele método que eu mesma criara para mim.

Aos poucos, os contos foram tomando forma. Era preciso escrever, revisar, reescrever, revisar… E como música é para se escutar, após a revisão cuidadosa do Amauri Ernani, meu leitor primeiro, beta, alfa e gama, achei por bem ouvir, eu também, aquela sinfonia que eu mesma produzira. Em um aplicativo leitor para textos, no celular, e em meio às tarefas do dia a dia, eu escutava aqueles contos como se de outra pessoa. A voz do aplicativo, um robô, ou melhor, o som de uma atriz que gravou fonemas que se unem ao ritmo das palavras, foi aos poucos se tornando natural, uma amiga até, e, ouvir aqueles textos me fez vê-los com outros olhos, encontrar outros erros, cacofonias, ritmos que quebravam a musicalidade aqui e ali. E virou hábito. Tudo que escrevo agora, vai para o áudio antes de ser considerado pronto.  

Pequenas Mortes Cotidianas percorreu muitas estradas. Foi selecionado pelo programa de tutoria da Casa das Rosas de 2016 em São Paulo e foi lido e relido por Verônica Stigger, Raul Drewnick e por outros tantos escritores amigos que conheci por ali. Depois, passou pelo crivo de Maiara Líbano e Flávia Iriarte em laboratórios do Carreira Literária. E agora, estreará em breve, com o selo da Editora Oito e Meio e orelha de Verônica Stigger, no Bistrô ao lado da sede da Editora Oito e Meio, no Rio de Janeiro.

No dia 07 de setembro, das 17 às 19h, esperarei por vocês lá, para o lançamento. Para conhecer um livro de contos que, embora traga a morte no título, fala de vida e dos momentos em que a perdemos, ou deixamos escapar, devagarinho e sem perceber, entre um compasso e outro, no tecido fino de nossos cotidianos.

Para saber mais sobre o livro, clique AQUI.

Sobre a autora:

Paula Giannini é dramaturga, roteirista, contista e atriz. Entre suas obras mais conhecidas encontra-se a comédia “Casal TPM” – espetáculo de Teatro que já foi assistido por mais de 700 mil pessoas na cidade de São Paulo. Em 2014 integrou o Núcleo de Dramaturgia David Mendes, na RPCTV (filiada da Rede Globo no Paraná). Como autora possui textos infantis (entre eles “Se Essa Rua Fosse Minha – Espetáculo de Brincar” – merecedor de inúmeros Prêmios como V.alores do Brasil e Pontinhos de Cultura), comédias, dramas e textos focados na cultura popular brasileira.

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