Sangrar na página

“Tudo o que você precisa fazer é sentar em frente à sua máquina de escrever e sangrar”.

Pesado, né?

Essa frase de Hemingway é a minha citação favorita dentro do meio literário e uma das minhas citações favoritas do universo como um todo. Além de linda, diz tanto em poucas linhas, não concorda?

Ela sempre me faz pensar o que Hemingway quis dizer com “sangrar”. O quão longe ele está me pedindo para ir?

Eu sei que nem comecei a arranhar a superfície quando o assunto é entrega emocional. Claro que já tive momentos poderosos ao escrever, daqueles que a gente fica com a boca seca e vontade de chorar. Já tive que deixar a escrita de lado por algum tempo para lidar com minhas emoções. Já ri de escorrer lágrima também. Mas, quando o assunto é sangrar na página, sei que tenho um longo caminho pela frente.

Isso quer dizer que tenho escrito de um jeito errado até hoje?

Não creio nisso.

Eu tenho escrito dentro das minhas possibilidades e, a cada nova página, eu vou mais fundo dentro de mim.

Conforme fui escrevendo com maior frequência, notei que os assuntos que desejo abordar, bem como a forma como os personagens reagem a eles, foi mudando. Foi, sim, chegando mais perto do sangue metafórico que Hemingway fala.

Eu já escrevi um livro todo ensanguentado? Não, ainda não.

Eu já deixei sangue em páginas e capítulos? Definitivamente sim.

É engraçado, pois, com o passar dos anos, embora a escrita tenha ficado mais fácil em termos técnicos, ela foi ficando mais difícil em termos emocionais. É como se eu ouvisse o chamado para deixar tudo na página, entregar tudo o que eu tenho… embora eu ainda não consiga.

Acredito que isso seja um incentivo para melhorar como escritor e como artista, mas também é um desafio que me leva a sair da zona de conforto.

Quem sabe um dia, se eu continuar praticando e procurando os temas que me são mais caros, eu venha a entender a totalidade da frase de Hemigway? Quem sabe?

O que você acha que Hemingway quis dizer com essa famosa frase?

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