Sobre vaidade e gratidão no meio criativo

Eu adoro o trabalho criativo.

Sério.

Eu meio que sou imprestável para tudo o que não envolve usar a criatividade para resolver problemas. Tudo bem que tenho um pezinho no planejamento, mas até essa coisa de pensamento estratégico só funciona, pra mim, se tiver criação misturada.

Me dê uma página em branco e eu vou trabalhar. Me abra uma planilha de Excel e eu vou gastar as próximas duas horas enxugando lágrimas.

Todo esse drama aí foi só pra deixar claro que eu adoro o trabalho criativo.

Mas, apesar disso, resolvi escrever esse texto para falar do outro lado do paraíso. Para expor uma falha que, embora presente na natureza humana, alcança novos patamares quando envolve escritores, publicitários, empreendedores, ilustradores e criativos em geral.

Eu estou falando da vaidade.

Ela mesma. O pecado favorito do diabo.

Porra, como tem vaidade nesse meio.

Já vi coisas incríveis serem desperdiçadas ou relegadas às trevas apenas por questão de vaidade. Já vi projetos super inovadores serem jogados no lixo, equipes se desfazerem e amizades virarem richas apenas por uma questão de ego. Porque alguém não puxou um saco. Porque outro se achou bom demais. Porque a ideia foi menos importante do que o orgulho.

A razão disso ser tão comum entre criativos me é uma incógnita. Talvez por que a criatividade ainda tenha uma aura de mistério, um quê de genialidade e excentricidade que faz com que as pessoas que trabalham com ela se vejam como criaturas divinas e separadas dos simples mortais.

Ah se eles soubessem que todos somos criativos. Que essa qualidade está no nosso DNA. Que, com tempo e dedicação, qualquer um poderia fazer o que fazemos.

Enfim… esse é um problema com o qual temos que lidar. É um obstáculo que por vezes atrasa ou acaba com carreiras. E é algo que devemos resolver. Urgentemente.

Como?

Não sei. Mas acho que descer do salto e ser grato a quem te ajudou é um belo começo. Afinal, por mais incríveis que gostemos de nos achar, a verdade é que somos totalmente incapazes de avançar sozinhos.

Vou até repetir: no meio criativo ninguém avança sozinho.

Apesar disso, quantas vezes mentores se esforçaram muito além do que deviam apenas para serem “recompensados” com o esquecimento e até mesmo com ingratidão por parte de seus pupilos? Quantas vezes jovens talentos descartaram seus professores como se fossem lixo após aprenderem o que queriam?

Cara, isso é triste demais.

Acho que estou escrevendo esse texto para lembrar a mim mesmo de tomar cuidado com a vaidade. Estou escrevendo para agradecer a todos os meus mentores, seja na literatura ou na publicidade (sem vocês eu realmente não teria conquistado nada, então muito muito muito obrigado). E estou escrevendo para alertar aos mais jovens que, embora o mundo seja de vocês, ele dá voltas.

Não plante um karma ruim. Fique atento à vaidade. Seja grato. A vida e a criatividade ficam melhores assim.

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