Star Wars: O Despertar da Força – Veja Com os Olhos de Uma Criança

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Nota: 5/5

Aviso: esse review tem spoilers, teorias e tudo o mais que tem direito. Prossiga com cautela!

Fui assistir Star Wars: O Despertar da Força na pré-estreia, mas fiz questão de esperar uma semana para falar sobre o filme. Afinal de contas, eu sou um fanboy assumido da saga e quis deixar toda a excitação diminuir antes de fazer uma análise mais neutra e justa.

Aviso desde já que não adiantou nada.

Acabei de sair de outra sessão de Star Wars. Dessa vez fui sozinho, no meio da tarde, pra poder prestar 100% de atenção na história e esmiuçar o roteiro, com toda a seriedade possível.

Isso também não funcionou.

Já nos primeiros minutos eu fui tragado para dentro daquele universo e o adulto em mim foi dormir. A criança (tal qual a Força) despertou e se divertiu por 2h20m. Eu cheguei a chorar sozinho agora há pouco, no cinema. Quando o filme acabou e os créditos subiram com a icônica trilha ao fundo, foi demais para o meu coração. Sério, não dá pra falar de Star Wars como se fosse outro filme qualquer, então eu vou falar com a empolgação e felicidade de um fã.

EM DEFESA DO ROTEIRO

Vi por aí algumas críticas levantando falhas de roteiro, coincidências e até mesmo argumentando que a história é rasa e simples.

Em primeiro lugar, tudo o que chamaram de coincidência eu chamo de Força. Ela tem seus próprios caminhos e sabe o que faz… e o filme nem exagera tanto nisso para incomodar alguém.

Em segundo lugar, sim, a história é bem simples. Só que isso é uma coisa boa.

Veja bem, eu gosto de analisar histórias de acordo com aquilo a que elas se propõem. Se um filme busca ser todo artístico e tem pretensões dramáticas, eu vou exigir isso dele. Se um livro quer trazer uma trama acelerada e tem como objetivo divertir o leitor, é isso o que eu vou exigir dele.

Star Wars se propõe a encantar. E se propõe a fazer isso de forma direta, sem complicar. 

Assisti a uma entrevista do J.J. Abrams na qual ele dizia que tudo tinha que ser simples o bastante para que a família toda entendesse. Para que as crianças entendessem. Para que elas gostassem. Então, quando nós vemos uma gigantesca base militar extremamente vulnerável a ponto de ter seus escudos desativados na maior moleza, não é pra estranhar. Isso não foi um erro de roteiro. Ele foi escrito para ser exatamente assim. Relaxe e aproveite.

A simplicidade do filme nos dá de presente a chance de encostar na poltrona e nos deslumbrarmos. Além disso, tudo é extremamente divertido e feito com carinho, conquistando novas gerações e respeitando as gerações antigas.

E é por isso que eu dei nota máxima para O Despertar da Força. Se você parar pra pensar, verá que ele entrega cada pequena coisinha maravilhosa a que se propôs. O que mais dá pra exigir? Só posso levantar e aplaudir. Se J.J. Abrams já era um dos meus storytellers favoritos, agora o cara conquistou um lugar especial no meu coração para todo o sempre.

Vale dizer também que eu adorei a forma como o roteiro foi construído. Ele espelha Uma Nova Esperança ao mesmo tempo em que traz uma história original. As primeiras cenas são extremamente eficazes em nos introduzir aos personagens e gerar empatia por eles, mas, além disso, ainda conseguem avançar a trama. Se você puder ver o filme novamente, perceba como cada cena contribui para a história e como a tensão e conflito são bem estabelecidos ao longo de todo o longa. O ritmo é excelente.

PERSONAGENS

Não dá pra falar do novo filme sem mencionar os novos personagens. Eu sei que todos os outros reviews do mundo já tocaram no assunto, mas aqui está um dos grandes méritos de O Despertar da Força – justamente naquilo que os episódios I, II e III falharam (apesar do Liam Neeson).

Rey é a heroína forte, mas que mantém o brilho doce no olhar. Estou perdidamente apaixonado por ela (assim como metade da galáxia).

Finn é a bússola moral que carrega uma tremenda força dentro de si… e algo me diz que isso vai crescer ainda mais nos próximos filmes. Sem falar que ele tem ótimos momentos de humor.

Poe ainda apareceu pouco, mas já gerou simpatia pela personalidade e pela habilidade como piloto.

Kylo Ren é um vilão interessante. De certa forma, ele é o anti-Luke. Se nas trilogias anteriores nós acompanhávamos a luta constante dos heróis contra a tentação do lado negro, neste filme vemos um vilão que quer abraçar as trevas, mas é tentado constantemente pela luz. Acompanhar a sua transformação em um verdadeiro monstro será um diferencial.

BB8 já conquistou todo mundo. Ele é uma mistura de Wall-E com R2D2 que faz joinhas. Não tem como ficar melhor do que isso.

DESTAQUES

O filme traz algumas cenas que estão ecoando na minha cabeça e que quero dividir com vocês.

A primeira delas, claro, é a morte de Han Solo. Talvez o momento mais dramático do filme, a morte de Han enquanto os outros personagens observam tem grande semelhança com o sacrifício de Obi-Wan no Episódio IV. A cena marca o momento em que Kylo Ren abraça de vez o lado negro e é fortalecida pelo simbolismo do sol  que se apaga para energizar a base Starkiller.  Tudo fica mais escuro e a face de Kylo aparece rubra, refletindo a luz de seu sabre. Uma mensagem visual bastante forte.

Mas a morte de Han também cumpre outra função: passar de vez o bastão para a nova geração. Agora cabe a Rey e companhia assumir a dianteira e comandar o show – coisa que nunca seria totalmente possível se o personagem mais carismático de toda a saga continuasse vivo.

Também achei bastante significativa a cena em que R2D2 desperta e revela o mapa do “universo”, sendo acompanhado por BB8, que acaba por complementar o mapa e assim desvendar o mistério da localização de Luke. Para mim, aquilo ali é a essência do novo filme: uma geração antiga que carrega uma luz do tamanho do universo sendo complementada pela nova geração – esta nova geração talvez não tenha toda a imponência e tamanho da anterior, mas é ela que guarda a chave para o futuro, para onde desejamos ir.

Por fim, a cena final, com Rey subindo a imensa escadaria de pedra é quase como uma meditação em meio a um filme repleto de ação. Sua mão estendida a Luke, oferecendo o Sabre de Luz, com a trilha sonora de fundo, nos desperta a certeza de que há luz nesse mundo… e que, mesmo que a gente tente se esconder, ela acaba achando seu caminho.

TEORIAS

Eu disse que o roteiro era simples e sem invencionices, certo? Mas isso não quer dizer que o filme não tenha sua dose de mistérios. Então, vamos a algumas teorias que já estão circulando por aí:

Rey é filha de Luke. Talvez a teoria que mais tenha chances de se concretizar. Embora os roteiristas não tenham nos dado nenhuma certeza do fato, o talento para a Força de Rey, somado aos sonhos da garota sobre uma ilha (como a que Luke está), sugerem fortemente que ela é, de fato, a herdeira dos Skywalker e do protagonismo da saga.

Kylo Ren quer acabar com o lado negro. Seria Kylo um herói trágico trabalhando para acabar com o lado negro de dentro para fora? Essa teoria diz que o jovem guerreiro estaria se infiltrando na Primeira Ordem para destruir o Líder Supremo Snoke e assim “terminar o que Vader começou”. Porém, para cumprir seu objetivo, Kylo precisa estar suficientemente imerso no lado negro a ponto de enganar Snoke. Isso explicaria o porquê dele ter pedido ajuda a Han antes de assassiná-lo. Será? Não acredito muito nessa linha de pensamento, mas não deixa de ser interessante, não é?

Snoke é Darth Plagueis. O Líder Supremo da Primeira Ordem é na verdade um Lord Sith e antigo mentor de Darth Sidious (o Imperador). Aos fãs da história Sith ou aqueles que prestaram muita atenção no Episódio III, o nome de Darth Plagueis, o sábio, não é estranho. Ele era visto como um dos maiores manipuladores da Força, sendo poderoso a ponto de manipular a energia e criar vida. Ele teria sido o “pai” de Anakin.

Usar Plagueis como vilão daria uma noção de continuidade à saga e poderia levantar dilemas morais interessantes. Plagueis, afinal, teria poder de trazer os mortos de volta.

Finn é filho de Lando. Essa história começou a circular por aí por causa de um brinquedo chinês de Finn que descrevia o personagem como filho de Lando Calrissian. Será mesmo? Afora o fato da cor da pele, qual outro indício temos para acreditar nesse parentesco? Será que Lando aceitaria ter seu filho tirado de sua guarda pela Primeira Ordem?

Finn possui a Força. A primeira vez que Finn e Kylo Ren se encaram, este detém o olhar por um tempo maior do que o normal no stormtrooper rebelde. Depois, quando se descobre que um stormtrooper fugiu, Kylo sabia exatamente de quem se tratava. Estaria o vilão pressentindo a Força em Finn?

É isso. Se eu parar e me forçar a analisar friamente, não direi que Star Wars: O Despertar da Força é o melhor filme do ano (esse título está com Mad Max: Fury Road). É um bom filme, com excelente ritmo e personagens marcantes e cativantes… tal qual foi Uma Nova Esperança.

Acontece que essa análise fria e justa não vai acontecer. Não por mim.

Para assistir Star Wars da forma como o filme merece, você deve tirar os seus olhos normais e colocar os olhos de uma criança que vê o mundo como uma grande ópera na qual a luz e as sombras se opõem em uma batalha imemorial… e na qual a Luz vence!

Estamos em casa.

Que a Força esteja com você.

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