A sua ideia não vale nada

Quando a turma que adora escrever ou contar histórias se encontra (seja pessoalmente ou na internet), não demora pra conversa rumar para as ideias que cada um tem. Conforme as pessoas vão se sentindo mais seguras, elas falam mais e mais e mais ideias. Todas, sem exceção, guardam um universo de possibilidades dentro delas.

E aí alguém pergunta:

– Mas quantos livros você escreveu?

E a resposta é:

– Nenhum, mas eu tenho muitas ideias boas.

Olha, eu tenho certeza que você tem um monte de ideias. E eu sei que muitas delas realmente são boas. Eu sei que poderiam ser material para um livro, filme ou série. Mas, eu preciso dizer uma dura verdade pra você.

Uma verdade que pouca gente tem coragem de falar.

Mas uma verdade que é imprescindível conhecer se você quiser ter sucesso.

A sua ideia não vale porcaria nenhuma.

É isso mesmo. Não importa quão boa ela seja, a sua ideia não vale nada. E não vale nada porque está ali, apenas na sua cabeça. Ela não ganhou forma. Ela não foi foi trazida à existência. Ela é apenas uma sementinha fadada ao esquecimento.

Para que tenha algum valor, uma ideia precisa ser colocada no papel. Ela precisa se materializar. Ela precisa existir de verdade.

E é aqui que muitos escritores falham, pois eles jamais deixam a primeira etapa. Com medo de escrever algo inferior (ou que não seja tão bom quanto a ideia pura), esses escritores se conformam com aquele sopro inicial e não partem para a escrita propriamente dita. Isso quer dizer que não são escritores de verdade, afinal, escritor é quem escreve.

A solução para isso é simples: entender que ninguém liga para a sua ideia. Ninguém se importa. Ninguém está nem aí… até que você a escreva.

Então, supere esse medo de escrever algo ruim (como Hemingway já dizia, a primeira versão de qualquer coisa é uma porcaria) e se permita produzir. Produza, nem que seja algo péssimo. Você poderá retrabalhar depois. Porém, se ficar sempre na ideia, jamais terá a chance de se aprimorar.

E não esqueça que um livro ruim ainda é melhor e merece mais respeito que uma ideia boa nunca escrita.

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  1. Olá Nano,

    Ótima colocação, curto e grosso, :-D. Este paradigma tem bastante quando você junta empreendedorismo + apps; é incrível a quantidade de pessoas que tem a ideia incrível pra um app, mas não tem a menor noção de nada além disso. Daí quando você ouve a ideia e coloca coisas meio “desimportantes”, como custo, prazo, mercado, problemas que a própria ideia traz consigo, os caras ainda ficam bravos, hehe.

    No TI tem este problema em grande escala, por isso se você olha sites como freelancer.com é cheio de projetos de apps incríveis com ofertas de valores ridículas para o desenvolvedor. Isso é um grande problema de destruição ou deterioração de mercados, e pelo visto o problema ataca qualquer área criativa. Felizmente o botar a mão na massa ainda é um belo divisor de águas!

    1. Verdade, Rodrigo. Percebo isso no meio criativo como um todo… uma empolgação grande com ideias, mas pouca força de vontade para colocá-las em prático. E é o que faz a diferença!

  2. Olá Nano.

    Gostei bastante do seu texto! Realmente, de nada vale uma ideia boa enquanto não começarmos a trabalhar com ela.
    Eu passei bastante tempo por essa situação que você falou. Tinha inúmeras ideias e nunca escrevia pois ficava com medo de não ser bom o suficiente ou não conseguir escrever o que realmente imagino. Mas depois que comecei, não consigo mais parar 😀

    Abraço.

    1. Oi, Fernando! Que bom que gostou do texto. Obrigado.
      Uma ótima notícia saber que você superou essa fase e que está apaixonado pela escrita. Muito sucesso pra você.
      Um grande abraço!

  3. Isso aí, texto objetivo e que dá um gás para quem está com medo de escrever. Felizmente já sou bem mais tranquila com relação a isso, vou escrevendo, depois reviso (até porque acho muito divertido escrever, é realmente um prazer). O importante é escrever, depois dar forma ao que foi escrito. 🙂

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