Você Não Precisa De Uma Editora Para Ser Profissional: Escrevendo Para a Amazon

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Quando a Amazon anunciou que ia implementar o KDP (Kindle Direct Publishing) – seu serviço de auto publicação digital – no Brasil, eu lembro de ter sido impactado por sentimentos conflitantes. Por um lado eu estava realmente empolgado com a ideia de ter uma ferramenta daquele tamanho ao meu dispor, mas, por outro, eu estava muito preocupado de que se eu testasse aquilo, de alguma forma eu seria um autor menor.

Pois é, havia (e ainda há) esse pensamento por aí. Tinha muita gente – autores, leitores críticos, consultores e donos de editoras – que me diziam que o KDP da Amazon não era um caminho viável. Que se eu entrasse naquela onda, as minhas portas estariam fechadas no mercado tradicional.

Eu era mais novo e bem menos experiente. Então, o que eu fiz?

Eu gostaria de dizer que a famosa ousadia e curiosidade da juventude falaram mais alto e que eu me joguei de cabeça na aventura.

Mas a verdade é que eu tomei o caminho do covarde.

Eu deixei o medo prevalecer.

Eu não publiquei nada por lá.

Shame on me!

Mas a vida segue e eu continuei meu caminho. Estudei. Conheci gente. Aprendi pra caramba. Só que sempre mantive um olhar atento ao novo universo de ebooks que crescia ao meu redor.

Como um voyeur, eu acompanhava tudo de longe, sem nunca me envolver de verdade.

Até que tudo isso mudou radicalmente e eu vou te falar o porquê:

 

1) Comecei a trabalhar com publicidade

Em 2014 eu mudei alguns rumos da minha vida e abracei de vez a publicidade como parte de mim. Como resultado tive noites de sono mais curtas, um consumo de café em progressão geométrica e uma crise renal, mas também conheci gente que pensa diferente, que enxerga o futuro com outros olhos e que está interessada em fazer as coisas, em deixar a sua marca por aí, ao invés de esperar. É uma cultura diferente daquela com a qual eu estava acostumado e chamou a minha atenção para o que estava acontecendo com criativos ao redor do Brasil e do mundo.

Hoje eu me considero um escritor – e uma pessoa – muito mais completa e certamente o convívio com gente legal tem uma imensa parcela de valor nisso tudo.

2) Comecei a ler ebooks

Pode parecer inacreditável, mas eu não tinha prazer com a leitura digital até o ano passado. Eu me sentava em frente ao monitor e lia arquivos em pdf meio que na marra, me forçando a concluir a leitura. Não era a mesma sensação de me esparramar no sofá com uma caneca de café ao lado e um livro cheiroso no colo.

Aí eu deixei de ser mão de vaca e resolvi fazer as coisas direito.

Com um iPad mini e livros no formato mobi e epub, a coisa mudou totalmente de figura. Eu simplesmente me apaixonei pelas possibilidades do dispositivo, como sublinhar com um toque, mudar a luminosidade e a cor de fundo, alterar tamanho da fonte e o espaçamento entre linhas. Enfim, era outra coisa. Descobri até que minha leitura estava mais rápida, o que me fez ler mais livros por mês e me levou ao terceiro ponto…

3) Eu aprendi com as histórias dos outros

Lendo o dobro do que eu normalmente lia por mês, eu comecei a expandir minha cabeça e a absorver ideias novas. Ideias de pessoas que construíram o próprio caminho como autores ou empreendedores de algum tipo. Essas pessoas queriam controle criativo sobre aquilo o que criavam e por isso se dedicaram a construir a própria carreira, sem a interferência (para melhor ou para pior) de intermediários, como editoras.

É claro que o caminho não é fácil e também não é adequado para qualquer um. Mas eu senti uma grande identificação com todas aquelas histórias, como se eu fizesse parte daquela tribo. Até o estilo de escrita de ebooks (sim, tem diferença) condizia mais com a minha maneira de escrever.

Aí a ficha caiu.

Aí eu resolvi chutar o balde e embarcar na onda da Amazon.

Olha só o que eu aprendi…

A responsabilidade é muito maior.

Você deve procurar formas de editar, corrigir e adequar a sua obra ao público-alvo. Até a capa será sua responsabilidade (demorei pra aprender essa parte, mas já estou com um designer fera mexendo nisso). Escorregue nesse quesito e a crítica vai te matar. Bastam alguns comentários com nota baixa lá na área de avaliações do seu livro e já era. Sério. Então tenha o triplo de atenção e cuidado com o produto final.

A velocidade é de impressionar.

Se você também já assinou contrato com editoras tradicionais, então sabe que tudo demora muito tempo. São meses até eles avaliarem seu original, depois mais um tempão para correção, aí testes e mais testes, aí se escolhe uma data de lançamento, depois muda-se a data, nesse meio tempo pode acontecer algum problema de calendário que adia tudo, até que, um ano (ou dois, ou três) depois, a sua obra é finalmente publicada.

Com o KDP da Amazon a coisa é absurdamente veloz e você pode ter um livro à venda algumas horas após a sua conclusão. Além disso, a plataforma oferece um monte de relatórios bacanas sobre os seus resultados.

Não é magia. É tecnologia.

Você precisa ser ainda mais profissional

Como você viu até aqui, publicar na Amazon é fácil e rápido, o que não quer dizer que deve ser feito sem se pensar muito a respeito.

Em uma editora tradicional, existe gente que avalia o seu livro, sugere alterações, corrige, adequa… em outras palavras, tem gente que torna a sua obra mais profissional.

Longe de uma editora tradicional, todo esse trabalho será seu.

Isso quer dizer que você terá que aprender sobre edição, sobre gramática, sobre leitura crítica e, sim, sobre marketing. Sem falar no grau de desprendimento que você terá que desenvolver para avaliar sua obra de maneira imparcial.

Não é pra todos. Tem autor que quer apenas focar na escrita e se dedicar a produzir o melhor livro possível, e tem todo o direito de pensar assim. Não há um certo ou errado nesse caso.

Mas, se você quer maior liberdade, se a independência fala alto no seu âmago, então a autopublicação na Amazon (ou similares) é uma ótima saída.

Antes de terminar esse texto, porém, eu quero passar adiante uma pérola de sabedoria que serviu para me inspirar e para me manter com os pés no chão:

O que separa as obras nessa nova era da literatura não é o fato de serem ou não publicadas por uma editora, mas o fato de serem ou não produzidas de forma profissional.

Agora é fácil publicar um livro, mas a imensa maioria das obras jamais chegará a ser lida por ninguém. Ficará no limbo do espaço virtual, abandonada e esquecida. Não por não ter uma editora, mas por não ser profissional.

Então, se você quer trilhar o caminho do autor independente, aprenda o máximo possível, contrate bons profissionais para fazer o que você não faz, pague por uma boa capa e nunca pare de se aprimorar. Essa é a sua responsabilidade e a sua obrigação. Leve a sério.

De resto… o mundo é seu. Vá tomá-lo! ;]


Você pode conferir a minha experiência com publicação na Amazon aqui.

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  1. Ótimo relato/artigo, Nano!
    Eu publiquei pela Amaozn direto, sem qualquer tentativa no mercado editorial convencional. Explico: tinha o texto pronto, queria publicar logo e não estava disposta a percorrer o calvário da busca por editoras que os iniciantes sempre têm que percorrer. A publicação pela Amazon é muito menos sofrida nesse aspecto, pois você tem a garantia de que seu livro ficará disponível para o mundo. Mas é verdade, o nosso trabalho enquanto autores independentes é imenso, já que somos responsáveis por tudo. E vender o próprio peixe pode ser extremamente cansativo. Batalhar por cada avaliação, conseguir expor nosso trabalho nas redes sociais, conseguir seguidores, desenvolver estratégias eficazes… é uma batalha diária. Mas faz parte do jogo.
    Acho a autopublicação digital um excelente caminho para quem quer ser lido e para quem já cansou de levar não das editoras convencionais. Há muitos casos de sucesso na Amazon e espero que eles se proliferem à medida que as pessoas comecem a aceitar mais os ebooks
    []’s

    1. Oi, Camila! Obrigado pelo seu relato.
      Eu gosto muito da ideia da liberdade e do controle criativo que a Amazon proporciona. Claro que tem o lado negativo, aquele que mata a gente de tanto trabalhar rsrs, mas também acho que é bom, porque destaca os autores que realmente estão dispostos a investir em sua produção (com tempo, suor e lágrima).
      Acredito muito na ideia do profissionalismo, de buscar melhorar sempre e fazer tudo o que estiver ao alcance para entregar um ótimo livro para o leitor!
      Seguimos na luta.
      Desejo muito sucesso a você :]

  2. Caro Nano,

    Li o seu livro e atribuí cinco estrelas a ele. Há muito penso em enveredar pelo caminho de escrever. A desculpa por não fazê-lo já é bastante conhecida. Mas a vida, assim como o mundo, dá muitas voltas e às vezes parece que certas situações conspiram a nosso favor, ou talvez não! Mas o fato é que após uma longa batalha contra um câncer, vi-me aposentado, com todo o tempo do mundo, necessitado de investir o tempo disponível e … pois é, parece que finalmente cheguei ao meu ponto de partida. Tenho pensado muito nas trajetórias de J. K. Rowling e Stephen King. Ambos são exemplos de determinados, que sabiam o que queriam e nunca mediram esforços para alcançar seus objetivos. Comecei a fuçar e a buscar por roteiros e dicas, quando encontrei o seu trabalho. Ainda sou novo no mundo dos e-books e da Amazon, mas confesso estar apaixonado. Nunca pensei que fosse desfazer-me do prazer de ter um volume “cheiroso” nas mãos, mas a Amazon com o seu Kindle, mudou o meu paradigma. Como você mesmo disse em seu texto, fui conquistado pelas facilidades da ferramenta eletrônica e passei a ler muito mais. Seu livro inspira e motiva a todos aqueles, que como eu, acreditam ter muitas histórias a contar e querem compartilhar suas ideias com o público em geral. Talvez nos Estados Unidos o mundo editorial tradicional não seja tão difícil como no Brasil, mas tenho escutado muitas histórias. A Camila disse bem: “você entrar em uma batalha para ter o seu livro publicado por uma editora convencional, é extremante estressante e desmotivador. Quem realmente quer chegar lá, precisa assumir riscos, dispor-se a trabalhar, suar etc. Mas penso ser um prêmio magnífico conquistar o prazer de ter uma obra própria publicada. E é isso o que se pode esperar, seguindo a sugestão da Amazon. A motivação já está na minha alma e agora é trabalhar e partir para a concretização de antigos sonhos. Espero em breve fazer parte do “clube” de vocês dois: Nano e Camila! Sucesso sempre!

    1. Olá, Marcos!
      Antes de mais nada, quero agradecer pelo comentário, mas, principalmente, por você ter dividido um pouquinho da sua história com a gente.
      A criação de um livro é sempre uma jornada de desafios, mas que vale muito a pena. Eu acredito que todos nós temos conhecimentos e histórias muito únicas que trazemos no íntimo e, por isso mesmo, livros em potenciais que merecem ganhar asas.
      Tenho certeza que em breve você experimentará essa sensação (e sei que irá adorar). Fico muito feliz em saber que a motivação você já possui, então desejo uma ótima jornada a você.
      Um grande abraço e muito sucesso! :]

  3. A auto-publicação, com certeza, traz mais responsabilidades ao autor. Enquanto nas editoras o trabalho é fragmentado, em ferramentas como a KDP o autor passar a ser revisor, tem a responsabilidade da leitura crítica e, até mesmo, passa a ser capista. Um erro em qualquer uma dessas fases e muitos leitores passarão longe da sua obra. Ao meu ver, essa é a parte negativa de ser um autor independente, mas as partes positivas superam essa. Belo texto, amei!

    Abraços,
    Karina Erika.

    eueminhacultura.blogspot.com.br

    1. Oi, Karina, tudo bom?
      Muito obrigado pelo comentário. É muito bom saber que você gostou do texto e que nós compartilhamos dessa ideia. Um grande abraço!

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